Viagens de carona com um autor

Viagens de carona com um autor

Partimos na companhia de Antoine Saint-Exupéry, o explorador dos ares que se apaixonou pela escrita, deixando-nos obras tão diversas como “Voo Noturno” e o eterno “O Principezinho”. Vamos a lugares que marcaram a sua vida e a sua obra. Em julho de 1944, durante a II Guerra Mundial, um avião de reconhecimento da Força Aérea…


Partimos na companhia de Antoine Saint-Exupéry, o explorador dos ares que se apaixonou pela escrita, deixando-nos obras tão diversas como “Voo Noturno” e o eterno “O Principezinho”. Vamos a lugares que marcaram a sua vida e a sua obra.

Em julho de 1944, durante a II Guerra Mundial, um avião de reconhecimento da Força Aérea francesa desapareceu no Mar Mediterrâneo, e o corpo do piloto nunca foi encontrado. A aeronave, uma das mais rápidas e modernas da aviação aliada, era pilotada por Antoine de Saint-Exupéry. Seu falecimento, aos 44 anos, permanece envolto em mistério e romantismo, e deixou um legado de obras lidas compulsivamente. Vamos mencionar algumas para levar na bagagem, mas o intuito aqui é explorar suas peripécias e sugerir a visita a locais que ele considerava significativos.

Antoine-Marie-Roger de Saint-Exupéry perdeu o pai aos quatro anos e, com isso, a mãe mudou-se para o castelo de Saint Maurice de Rémen, em Le Mans, onde ele cresceu até ingressar nos colégios jesuítas de Montgré e Le Mans, na França. Entre 1915 e 1917, passou um tempo em um colégio interno na Suíça e depois cursou arquitetura na Escola de Belas-Artes. Em 1921, ao cumprir o serviço militar no Segundo Regimento de Caçadores, teve seu primeiro contato com a aviação aos 12 anos, sem que a mãe soubesse, e foi enviado para Estrasburgo para se tornar piloto. Em 1922, já com o brevet, recebeu uma proposta para ingressar na Força Aérea francesa.

Ele recusou, cedeu às pressões da família de sua noiva, a romancista Louise de Vilmorin, e fixou-se em Paris, experimentando diversos empregos até decidir romper o noivado e retomar sua carreira nos céus. A aviação postal estava em seus primórdios, emergindo como uma alternativa viável às expedições marítimas e ferroviárias. Saint-Exupéry logo se juntou à companhia Aéropostale, fazendo parte de um grupo pioneiro que desafiava os limites da razão e segurança, quebrando recordes de velocidade para entregar o que o autor chamava de “cartas de amor”.

Por três anos, ele estabeleceu a ponte aérea entre a França e o Norte da África, escapando da morte em várias ocasiões, e, em 1928, tornou-se diretor do aeródromo de Cap Juby, no deserto do Saara. Ali, não só ficou fascinado pela aridez da paisagem, como também encontrou tempo e inspiração para escrever Courrier-Sud (“Correio do Sul”, 1929), seu primeiro romance. Nesse mesmo ano, mudou-se para a América do Sul, onde foi nomeado diretor da companhia Aeroposta Argentina, voando pelos Andes e acumulando experiências que serviriam de base para seu segundo romance, Vol de Nuit (“Voo Noturno”, 1931). Essa obra foi um sucesso internacional, vencendo o prêmio literário Femina e sendo adaptada ao cinema dois anos depois.

Entretanto, uma mulher entrou na sua vida de forma repentina: Consuelo Gómez Castillo. Não entraremos em detalhes sobre essa relação conturbada, mas seguiremos com o retorno de Saint-Exupéry à Europa após o encerramento do correio aéreo na Argentina, com sua próxima aventura levando-o a Casablanca e Port Étienne. Ao mesmo tempo, ele também atuava como piloto de testes para a Air France e outras companhias aéreas.

Em 1935, enquanto pilotava uma aeronave experimental a serviço da Air France, sofreu um acidente ao sobrevoar o Norte da África. Sobreviveu após dias perdido no deserto, sendo resgatado por uma caravana. Dois anos depois, pilotando o mesmo modelo, escapou da morte com ferimentos graves em um acidente na Guatemala. Durante sua recuperação, amigo e escritor André Gide incentivou-o a escrever sobre sua profissão, resultando na publicação de Terre des Hommes (“Terra dos Homens”, 1939), que ganhou prêmios da Academia Francesa e o National Book Award nos Estados Unidos.

Com a ocupação da França pelas tropas alemãs em 1940, Saint-Exupéry alistou-se. Embora considerado inapto para a aviação militar devido aos seus ferimentos, pilotou alguns voos ousados, recebendo a condecoração Cruz de Guerra. Em junho daquele ano, após a assinatura do armistício pelo Marechal Pétain, o aviador-escritor mudou-se para a França Livre com sua irmã, de onde partiu para os Estados Unidos. Ali, publicou Pilote de Guerre (“Piloto de Guerra”, 1942), um relato de sua fuga da pátria ocupada, que foi banido pelas autoridades alemãs na França. Em 1942, ainda lançou sua obra mais famosa, uma fábula para adultos traduzida em dezenas de idiomas: Le Petit Prince (“O Principezinho”).

Às 08h45 do dia 31 de julho de 1944, Antoine de Saint-Exupéry decolou do aeródromo de Bastia-Borgo, na Córsega, a bordo de um P-38 F5-B para uma missão de reconhecimento sobre a Saboia. Por volta do meio-dia, sua aeronave caiu no mar, ao largo de Agay, e o já mítico aviador-escritor nunca chegou ao seu destino, no Sul da França. Em terra, restou apenas o manuscrito inacabado de La Citadelle (“Cidadela”), publicado postumamente em 1948.

Casablanca também é fotografia

O novíssimo Museu da Fotografia e Artes Visuais é mais um motivo para viajar até a capital financeira de Marrocos. Localizado na antiga medina, sua escala intimista contrasta com o esplendor da Mesquita Hassan II, que parece pairar sobre o Atlântico. A visita guiada abre as portas para o extraordinário saber-fazer marroquino. Bilhetes: hassan2mosque.com

Marselha é muito mais do que um grande porto

A cidade conhecida como “porta do Mediterrâneo” merece ser visitada por diversos motivos. Um deles é o Muséum des Civilisations de l’Europe et de la Méditerranée – MuCEM, um museu que impulsionou a renovação urbana de Marselha no século XXI. Com um acervo de mais de 350 mil objetos e cerca de um milhão de documentos e peças, ele simboliza o encontro de culturas que moldaram a História. É também um belo exemplo de como unir a arquitetura contemporânea com a do passado. Bilhetes: mucem.org

Córsega rima com ‘road trip’

Situada no sudoeste da França e a oeste da Itália, é a quarta maior ilha do Mediterrâneo. Com uma identidade própria, nem totalmente francesa nem italiana, suas montanhas contrastam com praias de areia branca e águas turquesa. É um destino incrível para ‘road trips’ e encontros inesperados com pessoas que têm orgulho de suas origens. Info: visit-corsica.com

Barcelona em modo musical

O Palau de la Musica Catalana é uma sala de concertos única no mundo, considerada a joia do modernismo catalão e o único auditório de estilo Art Nouveau declarado Patrimônio Mundial pela UNESCO. A Grande Gala do Flamenco, o Festival Internacional de Canto Coral, e “La Traviata” de Verdi são alguns dos espetáculos programados para julho. Bilhetes: palaumusica.cat

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