Transformação do Palácio Valadares em Hotel do Grupo Pestana pode terminar em justiça

Transformação do Palácio Valadares em Hotel do Grupo Pestana pode terminar em justiça

Moradora do Palácio Valadares ameaça recorrer à justiça O imóvel tem uma residente que ameaça levar o assunto à justiça para interromper as obras, pois acusa o Estado e o Grupo Pestana de avançarem sem consulta, colocando em risco abóbadas centenárias para a instalação da Pousada da Enatur. Informações sobre o Palácio Valadares O Palácio…

Moradora do Palácio Valadares ameaça recorrer à justiça

O imóvel tem uma residente que ameaça levar o assunto à justiça para interromper as obras, pois acusa o Estado e o Grupo Pestana de avançarem sem consulta, colocando em risco abóbadas centenárias para a instalação da Pousada da Enatur.

Informações sobre o Palácio Valadares

O Palácio Valadares, localizado junto ao Largo do Carmo, é propriedade do município de Lisboa, especificamente da empresa Estamo, e foi arrendado ao Grupo Pestana para ser transformado em uma Pousada de luxo. Em 2017, o Grupo Pestana arrendou ao Estado a fração correspondente a três andares para estabelecer uma nova Pousada de Portugal. Contudo, as obras ainda não começaram, e as controvérsias em torno da requalificação do Palácio prometem continuar.

Reclamações da moradora

A única residente do Palácio Valadares, Célia Costa Cabral (advogada e professora universitária), que mora no local há aproximadamente 15 anos e é proprietária de uma fração do imóvel, diz que o Estado e o Grupo Pestana estão “atropelando a lei e ignorando a salvaguarda do patrimônio”. Ela destaca que “apesar do título constitutivo do prédio prever a restrição de uso como Escola, não houve consulta ou aprovação em assembleia para qualquer alteração”.

O imóvel, que está sob a gestão da Estamo e é designado “Palácio Valadares”, era anteriormente a antiga Escola Secundária Veiga Beirão.

Polêmica em torno da requalificação

A requalificação do Palácio Valadares, localizado no Chiado, está cercada de polêmicas, conforme noticiado pelo “jornal Sol” e pelo “Diário do Distrito”, um jornal regional que cobre notícias de Setúbal, Portugal Continental e das Ilhas.

A nova pousada será gerida pelo Grupo Pestana, que administra todas as pousadas de Portugal e que são ativos da Enatur – Empresa Nacional de Turismo.

Uma fonte oficial do Grupo Pestana afirmou ao Jornal Sol que o palácio está “devoluto, sem qualquer utilização e em risco de degradação”, e que pretende conciliar a conservação do patrimônio com sua revitalização e devolução à cidade.

O Grupo Pestana também esclareceu ao semanário que está aguardando a licença de construção, mas que já iniciou “trabalhos de limpeza e outras situações preparatórias para a construção”.

Resistência da moradora

Célia Costa Cabral discorda da alegação de que o Palácio está devoluto e afirma que o projeto resultará na destruição de elementos arquitetônicos históricos, incluindo tetos em abóbada.

“Não é verdade que o edifício esteja devoluto, como foi declarado nos formulários submetidos à Câmara Municipal de Lisboa. O que está devoluto é apenas uma fração do prédio — correspondente a 48% do total do imóvel. A parte restante mantém residentes e espaços comerciais em uso, uma situação que não ter sido devidamente assinalada no pedido entregue à autarquia”, afirma Célia Costa Cabral, que admite a possibilidade de recorrer à Justiça. “Se as obras começarem, vou pedir o embargo. A decisão de mudança de uso em um edifício desse tipo deve ser tomada por unanimidade dos condôminos”, acrescentou.

Célia Costa Cabral explica que “no registro predial consta que a fração do Estado se limita ao 1.º, 2.º e 3.º andares”, mas que o projeto em questão “envolve áreas comuns e uma ampliação da área de construção em várias centenas de metros quadrados, algo que não pode ser atribuído apenas a uma fração”.

“O projeto em análise na Câmara Municipal de Lisboa prevê a destruição de abóbadas históricas no rés-do-chão — uma área que é parte comum do edifício — para instalar um elevador de saída de resíduos. Não se compreende como a Câmara poderia autorizar tamanha violação, quando o edifício é classificado e faz parte do patrimônio municipal”, ressalta a moradora, que é jurista.

A moradora também menciona que a Câmara aprovou o processo sem, supostamente, ter verificado a existência de várias frações habitacionais e comerciais em funcionamento.

Resposta da Câmara Municipal de Lisboa

A Câmara Municipal de Lisboa, por sua vez, respondeu ao Diário do Distrito, informando que Carlos Moedas, presidente da Câmara, já está ciente da situação e acompanha de perto o processo.

A autarquia esclareceu que a aprovação da operação urbanística respeitou os procedimentos formais exigidos, mas admite que a responsabilidade por questões de condomínio e possíveis litígios entre frações “não é da competência municipal”.

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