Simposio celebra 150 anos do Mercado do Livramento
Mercado do Livramento: 150 anos ao serviço da cidade (1876-2026) O encontro conduzido pela técnica municipal Ana Catarina Stoyanoff proporcionou uma abordagem histórica abrangente sobre o abastecimento alimentar em Setúbal, desde o século XVI até à inauguração do edifício atual em 1930. O vereador da Câmara Municipal de Setúbal, Paulo Maia, participou na iniciativa que,…
Mercado do Livramento: 150 anos ao serviço da cidade (1876-2026)
O encontro conduzido pela técnica municipal Ana Catarina Stoyanoff proporcionou uma abordagem histórica abrangente sobre o abastecimento alimentar em Setúbal, desde o século XVI até à inauguração do edifício atual em 1930.
O vereador da Câmara Municipal de Setúbal, Paulo Maia, participou na iniciativa que, mais do que revelar a história de um edifício, propôs uma reflexão sobre a evolução urbana, económica e social de Setúbal, mostrando como o Mercado do Livramento acompanhou as transformações da cidade.
Durante a conferência, destacou-se como, ao longo de mais de um século e meio, o Mercado do Livramento se firmou como um equipamento municipal estruturante, um espaço de sociabilidade, símbolo de modernidade e um elemento identitário da memória coletiva da comunidade setubalense.
Abastecimento e Espaços Urbanos
Numa abordagem inicial, foi analisado como, entre os séculos XVI e XIX, o abastecimento da população se distribuía por vários espaços urbanos simbólicos, como a antiga Praça do Sapal, atual Praça de Bocage, o Largo da Ribeira Velha, a Fonte Nova e Palhais.
Neste contexto, evidenciaram-se as sucessivas soluções arquitetónicas e regulamentares adotadas pelo município para organizar o comércio de peixe, frutas e hortaliças, além dos conflitos entre produtores e revendedores, preocupações com a disciplina do espaço público e as constantes questões de higiene e funcionalidade.
Construção do Mercado Moderno
Foram discutidas as tentativas de construir um mercado moderno no século XIX, incluindo o projeto de 1864 que foi inviabilizado por falta de autorização governamental, assim como a estratégia adotada alguns anos depois por António Rodrigues Manito, que possibilitou a construção do mercado inaugurado a 31 de julho de 1876.
As características arquitetónicas do edifício oitocentista, a organização interna, os equipamentos de apoio à atividade piscatória e agrícola, e o reconhecimento que o mercado recebeu na época, por alguns autores, como um dos melhores do país, foram igualmente enfatizadas.
Reconstrução do Mercado
A conferência abordou ainda a reconstrução do Mercado do Livramento entre 1927 e 1930, num contexto de forte crescimento demográfico e de modernização urbana da cidade, com destaque para a intervenção arquitetónica de Able Pascoal, responsável pela configuração final da fachada do edifício com inspiração Art Déco.
Foi dado destaque ao programa artístico integrado no edifício, incluindo os painéis de azulejos figurativos desenhados por Pedro Jorge Pinto e executados na Fábrica de Arcolena, que representam atividades como a pesca, a salicultura e a agricultura, assim como os painéis policrómicos de 1944, de Rosa Rodrigues, que embelezam o átrio de entrada.
Contribuição para a História Local
A conferência “Mercado do Livramento: 150 anos ao Serviço da Cidade (1876-2026)”, desenvolvida no âmbito do ciclo “Valorizar o(s) Património(s)”, procurou contribuir para a história local, reforçando a valorização do património municipal e promovendo o conhecimento da memória coletiva associada ao Mercado do Livramento.
