Lilian em Portugal Lilian chegou a Portugal em 1987 para estudar piano e, eventualmente, tornou-se professora na Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, guardando boas lembranças de seus colegas e alunos. Desafios com a Residência Inicialmente, entrou como turista devido a dificuldades em conseguir um visto de estudante no Consulado Português em São Paulo,
Lilian em Portugal
Lilian chegou a Portugal em 1987 para estudar piano e, eventualmente, tornou-se professora na Escola Artística de Música do Conservatório Nacional, guardando boas lembranças de seus colegas e alunos.
Desafios com a Residência
Inicialmente, entrou como turista devido a dificuldades em conseguir um visto de estudante no Consulado Português em São Paulo, recomeçando ao entrar repetidamente em Portugal como turista e solicitando autorização de residência junto ao SEF.
Embora tenha apresentado tanto seu passaporte quanto o pedido de residência, esses documentos não foram suficientes para processos oficiais como a legalização junto à Caixa Geral de Aposentações, dadas suas funções como professora em instituição pública.
Ela conseguiu resolver sua situação de residência através da Embaixada do Brasil em Portugal, o que lhe permitiu obter a devida autorização de residência.
“Naquela época, havia apenas quatro ou cinco brasileiros aqui, e procurei o embaixador brasileiro, que me ajudou a obter a autorização de residência,” afirmou, observando que, dois anos depois, ela garantiu a residência permanente.
Renovação da Autorização
Essa autorização é renovável a cada cinco anos, e Lilian conseguiu fazê-lo até janeiro de 2020. Sua autorização expirou em 15 de janeiro deste ano, e apesar de seus esforços, não conseguiu renová-la até o momento.
Apesar de inúmeras tentativas, as respostas do AIMA às solicitações anteriores causaram um atraso. Ao descobrir que os pedidos de autorizações expiradas em 2025 estavam sendo processados, ela entrou em contato com os serviços e descobriu que “não há cartão de residente com esse número.”
“Eles dizem que não existe,” explicou, observando que reenviou seu pedido três vezes, sempre recebendo a mesma resposta. “Meu número não existe,” lamentou.
Seu nível de persistência foi tal que ela não pode mais fazer solicitações usando seu e-mail.
Consequências da Expiração
“De ’88 até 2020, eu renovei minha autorização a cada cinco anos. Mas agora, não consigo,” expressou, acrescentando que suas ligações para o AIMA não são atendidas, assim como seus e-mails.
O resultado de sua autorização expirada é a falta de acesso a serviços como aplicações bancárias, sendo constantemente lembrada de sua documentação inválida.
“Isso afeta tudo. Para qualquer coisa você precisa apresentar seu documento de identidade. Se está expirado, eles pedem a data de validade, descobrem que está expirado e o documento é considerado inválido. Uma situação levou à outra. Primeiro, foi a Caixa Geral de Aposentações, depois o contrato de aluguel, que também não tinha documento válido, dificultando as explicações,” afirmou.
Problemas com o AIMA
Apesar da extensão do governo dos prazos para autorizações de residência, a sua permaneceu válida até 30 de junho e, depois, até 15 de outubro. Atualmente, ela não consegue renovar seus documentos, pois, segundo os serviços de imigração (AIMA), sua autorização não existe.
Sentindo-se “refém do AIMA,” Lilian teme viajar, pois, embora essas demoras sejam conhecidas em Portugal, outras fronteiras podem não ser tão compreensivas.
Reflexões sobre sua Imigração
Lilian, mãe de duas crianças nascidas em Portugal com nacionalidade portuguesa, expressou exaustão com o ambiente hostil para imigrantes no país.
Sendo desconfortável neste “ambiente anti-imigração,” ela se sente como uma imigrante mesmo após viver 40 anos em Portugal e trabalhar durante 37 desses anos para o estado.
“Sou muito grata a Portugal, pois criei e eduquei meus filhos aqui em um ambiente muito calmo, longe da violência e do crime de São Paulo.”
“Antes do surgimento de um partido institucionalizando o racismo, como o Chega, as coisas eram diferentes, já que as pessoas poderiam ter esses sentimentos, mas não tinham um canal para tal expressão violenta,” observou.
Recordando a experiência do Brasil com líderes como Bolsonaro, ela pondera sobre seu futuro, contemplando um possível retorno ao seu país de origem com lembranças preciosas de “alunos maravilhosos” e os artistas com quem colaborou.
“Essas são as coisas que levarei comigo, e não o que está acontecendo agora. Fiz muitos amigos e tive a sorte de conhecer pessoas que, de muitas maneiras, me ajudaram a me sentir mais incluída,” concluiu.

















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