Fundações de aposentadoria na Europa ampliaram seus investimentos em venture capital em 55% em 2024
A Atomico revelou que o investimento em capital de risco aumentou 7%, atingindo 44 mil milhões de dólares, enquanto os fundos de pensões europeus elevaram suas alocações em capital de risco em 55% em 2024 — passando de 650 milhões de dólares para mil milhões de dólares. Mobilização do Capital Europeu “Para financiar o futuro,…
A Atomico revelou que o investimento em capital de risco aumentou 7%, atingindo 44 mil milhões de dólares, enquanto os fundos de pensões europeus elevaram suas alocações em capital de risco em 55% em 2024 — passando de 650 milhões de dólares para mil milhões de dólares.
Mobilização do Capital Europeu
“Para financiar o futuro, é necessário mobilizar o capital próprio da Europa para desenvolver mercados profundos e completos, adequados para campeões globais”, defende a Atomico em seu relatório “The State of European Tech”, elaborado em parceria com a Amazon Web Services, a Orrick, o HSBC Innovation Banking e a Slush.
A Atomico acredita que o próximo passo para a Europa é aprimorar seu ecossistema em fase de crescimento, que compreende empresas que já ultrapassaram a fase inicial de startup e buscam expandir-se. Para isso, é imprescindível que mais fundos de pensões e governos atuem como Limited Partners (LPs), ou seja, como investidores que aplicam capital em fundos de capital de risco (Venture Capital) e private equity, com responsabilidade limitada ao montante investido.
A empresa de capital de risco sediada em Londres destaca que o investimento em capital de risco teve um crescimento de 7%, totalizando 44 mil milhões de dólares, e que os fundos de pensões europeus aumentaram suas alocações em capital de risco em 55% em 2024 — de 650 milhões de dólares para mil milhões de dólares. O segundo semestre de 2024 gerou 14,7 mil milhões de dólares em novos investimentos, configurando-se como o segundo semestre mais forte desde 2021.
As empresas tecnológicas do sul da Europa devem angariar 2,9 mil milhões de dólares em 2025, segundo a previsão da Atomico.
“O mito persistente sobre o fraco desempenho do capital de risco europeu está sendo desmantelado: o capital de risco europeu supera os retornos dos EUA em um horizonte de dez anos e supera os mercados públicos europeus em 10 pontos percentuais ao longo de mais de 10 anos”, afirma a empresa.
“É verdade que as pensões europeias ainda estão três vezes abaixo das americanas. Se comparadas aos níveis de alocação dos EUA, 210 mil milhões de dólares adicionais poderiam fluir para o capital de risco na próxima década. Contudo, os países do sul da Europa apresentam o segundo menor investimento em capital do continente em relação ao PIB, com 0,06%, menos da metade da média europeia de 0,17%”, destaca a Atomico.
O estudo menciona que “quando as empresas atingem a maturidade, acabam se deparando com mercados públicos fragmentados que carecem da profundidade, liquidez e sofisticação necessárias para apoiar campeões europeus com ambições verdadeiramente globais”.
A Atomico ressalta que a Europa capturou 10% dos 608 mil milhões de dólares em valor global de tecnologia em 2025. Entretanto, o apoio institucional está sendo reforçado. “Os compromissos do Fundo Europeu de Investimento para o sul da Europa aumentaram de 8% para 24% em 2024, representando um importante voto de confiança”, revela a Atomico.
O sul da Europa também possui a segunda maior proporção de fundos de pensões AUM (assets under management) comprometidos com capital de risco, com 0,022%, atrás apenas da França e do Benelux, acrescenta o relatório.
A tecnologia profunda e a inteligência artificial agora equivalem a 36% do capital de risco europeu, em comparação com apenas 19% em 2021, destaca a Atomico.
O financiamento em tecnologia de defesa aumentou 55% em relação ao ano anterior, atingindo 1,6 mil milhões de dólares, e 31% de todo o financiamento europeu levantado em 2025 foi direcionado a empresas que desenvolvem inteligência artificial (IA) e machine learning (ML).
“Embora os EUA invistam em maior escala na IA (esperando alcançar 146 mil milhões de dólares em 2025, contra 14 mil milhões de dólares na Europa), o continente europeu também abriga empresas proeminentes, como Lovable, ElevenLabs, DeepL, Synthesia e Poolside. Além disso, a italiana Domyn angariou 764 milhões de dólares, incluindo 377 milhões de dólares em financiamento de dívida, para projetos de gigafábricas de IA voltados para defesa, finanças e manufatura avançada”, ressalta o relatório.
O desafio persiste na fase de crescimento, segundo a Atomico. A participação de empresas de tecnologia profunda dos EUA que levantam mais de 100 milhões de dólares em rodadas de financiamento supera a da Europa em cinco vezes.
Qual a solução?
O relatório propõe um “Pacto Europeu de Capital”, que visa direcionar pensões, seguros e ativos soberanos para financiar a inovação europeia, “expandindo modelos nacionais como Tibi, WIN e Mansion House por toda a Europa”.
Defende também a capacitação dos europeus para que possam investir suas economias de forma produtiva, responsável e confiável. Uma posição que já foi defendida pela Comissão Europeia, no contexto do seu programa de União de Poupança e Investimento.
A Atomico pleiteia um mercado de capitais europeu único e líquido para empresas em crescimento — divulgação harmonizada, liquidez conjunta e cobertura compartilhada por analistas para manter IPOs, propriedade e valor na Europa.
O relatório revela que “no total, assistimos a quase 1 bilião de dólares em valor realizado com IPOs e fusões e aquisições nos últimos dez anos”.
Fortalecer a cultura de risco como infraestrutura fundamental, tão essencial quanto energia ou capital
A base de inovação da Europa se transformou na última década, com o número de investidores ativos na região agora chegando a 2.850, comparado a 1.350 em 2016, conforme evidenciado no relatório.
“Os fundadores europeus estão construindo com uma velocidade e ambição sem precedentes. A Europa abriga a empresa com o crescimento mais rápido de todos os tempos, a Lovable”, menciona o documento.
A Atomico relata que 28 empresas já ultrapassaram a marca de avaliação de mil milhões de dólares este ano, configurando-se como o ano mais forte desde 2022, elevando o número total para mais de 400.
O sul da Europa conquistou três unicórnios em 2025, totalizando 25. Um deles é português: a Tekever ultrapassou o valor de mercado de mil milhões de dólares em 2025, tornando Portugal um dos 11 países a produzir novos unicórnios este ano.
O State of European Tech 2025 aponta como desafio a construção de uma cultura que sirva de impulso, e não de travão, para esse talento e inovação. Ou seja, “ir além para reformular o empreendedorismo de forma positiva e defender o risco em investimentos, políticas e aquisições. Por exemplo, apenas 20% das empresas europeias envolvem-se ativamente com startups, em contraste com 50% nos EUA”.
A Europa investe apenas 9% das aquisições públicas em inovação, comparado a 20% nos EUA. A procura interna diz respeito a dinheiro, mas também a validação. As empresas que se provam junto a outras empresas e governos europeus estão em uma posição mais favorável para vencer em nível global.
Por exemplo, a Espanha demonstra o valor comercial desta abordagem: o país capta 5,5% das primeiras contratações de vendas não domésticas por empresas europeias da Série A — o que comprova que as startups veem a Espanha como uma porta de entrada comercial para o mundo hispanofalante.
O estudo aponta soluções. Assumir o controle da narrativa e mudar a forma como a Europa fala sobre risco. Investir na narrativa para celebrar a ambição, abraçar o fracasso e o sucesso, e reformular o empreendedorismo e a experimentação de forma positiva.
Conquistar o futuro, o que implica “uma rota rápida, confiável e passível de transferência para startups venderem a compradores públicos e corporativos europeus dispostos a apostar na inovação”.
Por fim, a solução também envolve tornar a insolvência e a reestruturação mais fáceis, rápidas e justas, para que os fundadores possam encerrar, redefinir e recomeçar sem burocracia, estigma ou perda de tempo.
