Serviço pós
Desafio da Recrutamento no Setor de Pós-venda em Portugal Recrutar sempre foi um desafio. Atualmente, para muitos operadores de pós-venda em Portugal, tornou-se um grande obstáculo. O negócio está a crescer — especialmente devido ao aumento da frota, que nos últimos cinco anos passou de 6 para 6,5 milhões de veículos ligeiros —, mas faltam…
Desafio da Recrutamento no Setor de Pós-venda em Portugal
Recrutar sempre foi um desafio. Atualmente, para muitos operadores de pós-venda em Portugal, tornou-se um grande obstáculo. O negócio está a crescer — especialmente devido ao aumento da frota, que nos últimos cinco anos passou de 6 para 6,5 milhões de veículos ligeiros —, mas faltam profissionais com as competências necessárias. E não se trata apenas de um problema temporário que pode ser resolvido com a importação de mão de obra. É um problema estrutural.
Idade Média dos Profissionais e Falta de Atração para Novas Gerações
Dados da ANECRA indicaram uma idade média próxima dos 50 anos entre os profissionais do setor. A renovação não aconteceu. Durante anos, o pós-venda não conseguiu atrair as novas gerações, que ainda veem mecânicos, pintores e bate-chapas como profissões pouco atrativas — apesar de as remunerações médias já superarem, em muitos casos, áreas comparáveis. As oficinas evoluíram: são agora espaços tecnológicos, limpos e digitais, mas a imagem pública nem sempre acompanhou estas mudanças.
Consequências da Escassez de Talentos
O resultado é visível. A falta de pessoal especializado leva a uma menor capacidade de resposta e a custos salariais mais altos, uma vez que a escassez eleva os preços. Estabelece-se um paradoxo: mais procura, menos capacidade de resposta e margens encolhidas. O cliente espera mais, a qualidade diminui e a rentabilidade se reduz.
Desafios da Transição Tecnológica
Esse déficit de talento colide com a transição tecnológica. A eletrificação, os sistemas avançados de assistência ao condutor (ADAS), o diagnóstico avançado, software e baterias de alta voltagem requerem novas competências. Sem técnicos qualificados, as metas do Euro 7 e as definições de 2035 ficarão apenas no papel. Sem pessoas, a transição não acontece.
Soluções para Reabilitar o Ensino Profissional
O que fazer? Em primeiro lugar, é essencial reabilitar e consolidar o ensino profissional. Precisamos de cursos que se alinhem com a moderna oficina: alta voltagem, ADAS e calibração, carroçaria avançada, pintura sustentável e gestão digital de serviços. Empresas, marcas e centros de formação devem colaborar na criação de currículos, com estágios remunerados, bolsas e planos de progressão claros. Paralelamente, é importante reconhecer e requalificar quem já está em atividade, por meio de percursos rápidos de upskilling e certificação modular.
Iniciativas em Curso e Necessidades de Atração
Existem boas iniciativas em andamento — destaque para o Centro de Formação do Setor Automóvel (CECRA), sob a tutela do IEFP, onde a ANECRA participa na administração desde o início. Porém, falta escala e atratividade: é crucial mostrar aos jovens que o setor possui um futuro, carreiras valorizadas e salários competitivos, dignificando as profissões.
Acelerar Recrutamento Internacional e Reconhecimento de Qualificações
Em segundo lugar, é vital acelerar e simplificar os processos de recrutamento internacional e o reconhecimento de qualificações estrangeiras. O Protocolo de Cooperação para a Migração Laboral Regulada, assinado em 1 de abril entre entidades públicas e confederações patronais, é um passo positivo, mas não pode ficar apenas nas intenções: precisamos dotar os vários intervenientes de recursos e competências para tornar o processo efetivo e ágil.
Reforçar a Proposta de Valor das Empresas
No plano empresarial, é aconselhável reforçar a proposta de valor: carreiras com etapas visíveis, formação, horários previsíveis, ferramentas de excelência e uma cultura de respeito à segurança. O talento jovem busca propósito e futuro; o pós-venda possui essas características, mas precisa comunicá-las.
A Importância dos Técnicos na Mobilidade do Futuro
A mobilidade pode ser elétrica e digital. Mas sem técnicos, tudo fica estagnado nas oficinas. O setor não pede apenas carros e peças; pede pessoas capacitadas e motivadas. Se não as atraímos e formamos, corremos o risco de transformar a oportunidade da década em um engarrafamento sem saída.
