Imported Article – 2026-03-26 12:45:10

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Emissão de Dívida Soberana em Angola José de Lima Massano salientou “as taxas muito favoráveis” e o fato de se ter tratado da primeira emissão de dívida soberana por países emergentes, após o eclodir do conflito no Médio Oriente, nas declarações que fez ao final da reunião do Conselho de Ministros. Calma em Luanda Após…



Emissão de Dívida Soberana em Angola

José de Lima Massano salientou “as taxas muito favoráveis” e o fato de se ter tratado da primeira emissão de dívida soberana por países emergentes, após o eclodir do conflito no Médio Oriente, nas declarações que fez ao final da reunião do Conselho de Ministros.

Calma em Luanda Após Dias de Conflito

Após “dias de guerra”, a população de Luanda respira alívio com o retorno da calma e maior tranquilidade, apesar das preocupações sobre o agravamento do desemprego devido aos episódios de vandalismo. As consequências dos tumultos, violência e pilhagens que ocorreram no início desta semana estão na memória dos luandenses, que os descrevem como “dias de guerra”.

Mobilização de Recursos no Mercado Internacional

Angola mobilizou 2,5 mil milhões de dólares (2,1 mil milhões de euros) em moeda estrangeira, com maturidade a sete e a 11 anos, conforme anunciado na quarta-feira pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica.

José de Lima Massano destacou “as taxas muito favoráveis” e enfatizou que esta foi a primeira emissão de dívida soberana por países emergentes após o conflito no Médio Oriente.

A emissão foi realizada em duas tranches: uma de 1,5 mil milhões de dólares (1,2 mil milhões de euros) com taxa de 9,25% e maturidade a sete anos, e outra de mil milhões de dólares (862,87 milhões de euros) com taxa de 9,8% e maturidade a 11 anos, segundo um comunicado do Ministério das Finanças.

O ministro sublinhou que foi possível baixar as taxas de juros em comparação com emissões anteriores.

“E é importante notar que, mesmo para títulos que têm sido transacionados no mercado internacional, Angola se destaca como um dos poucos países que, após o conflito, conseguiu taxas de juros mais baixas em comparação com as anteriores, pré-conflito”, ressaltou.

Investidores do Reino Unido e dos Estados Unidos participaram, com os últimos tendo gerado a maior mobilização de recursos para esta emissão de Eurobonds.

“Esta foi uma emissão significativa por vários motivos, especialmente por ser a primeira ocorrida por países emergentes após o início do conflito no Médio Oriente”, enfatizou o ministro.

Ele também mencionou que a demanda superou amplamente a oferta, com a emissão sendo realizada “num contexto de grande incerteza e forte volatilidade nos mercados internacionais”, superando as expectativas iniciais.

“Iniciamos tentando mobilizar dois mil milhões de dólares (1,7 mil milhões de euros) e conseguimos uma procura de cerca de 5,2 mil milhões de dólares (4,4 mil milhões de euros), resultando em 2,5 mil milhões de dólares no final”, afirmou.

Segundo José de Lima Massano, esta foi uma “operação histórica” por ser uma das maiores emissões em um único dia por países africanos na região subsaariana, superada apenas pela África do Sul e pela Nigéria.

“Isso também reflete a forte confiança dos investidores internacionais em relação à nossa economia”, acrescentou.

O ministro destacou que os recursos mobilizados serão utilizados para executar programas do Orçamento Geral do Estado deste ano e para atender à “forte preocupação” de honrar compromissos relacionados ao pagamento de dívidas a prestadores de serviços ao estado.

“Ainda temos um volume considerável de ordens de saque a regularizar dentro do prazo de 90 dias para pagamento, o que nos dá uma certa tranquilidade”, expressou.

Angola começou a emitir dívida em Eurobonds em 2015, com uma emissão de 1,5 mil milhões de dólares, e em 2018 reforçou sua posição com duas operações, uma de 1,75 mil milhões de dólares com taxa de juro de 8,25%, e outra de 1,25 mil milhões de dólares com taxa de 9,38% e maturidades mais longas.

Entre 2019 e 2021, foi adotada uma abordagem mais estruturada da dívida, com a definição de uma estratégia de médio prazo que totalizou 3,5 mil milhões de dólares.

No período de 2022 a 2024, houve um destaque no reforço da gestão ativa da dívida, incluindo a emissão em 2022 e operações de recompra, visando melhorar o perfil de maturidade. Em 2025, a emissão Palanca VIII marcou o retorno de Angola aos mercados após três anos, “com forte procura internacional, consolidando a confiança dos investidores e o posicionamento do país como um emissor credível”, segundo o comunicado.

A previsão de Angola este ano é mobilizar financiamento externo no montante de 7,93 biliões de kwanzas (7,3 mil milhões de euros) e a nível interno captar 7,11 biliões de kwanzas (6,5 mil milhões de euros).


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