Corredor do Lobito contará com apoio do Banco Mundial e ferramenta de monitoramento para atrair investidores
Banco Mundial apoia o Corredor do Lobito Em entrevista à Lusa após participar na reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, na quinta-feira em Luanda, Anna Bjerde afirmou que o Banco Mundial pretende apoiar o projeto através de instrumentos públicos e privados, incluindo garantias, para torná-lo “investível” e viabilizar…
Banco Mundial apoia o Corredor do Lobito
Em entrevista à Lusa após participar na reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, na quinta-feira em Luanda, Anna Bjerde afirmou que o Banco Mundial pretende apoiar o projeto através de instrumentos públicos e privados, incluindo garantias, para torná-lo “investível” e viabilizar parcerias público-privadas.
O Corredor do Lobito contará com uma ferramenta de monitorização para acompanhar projetos e financiamentos, revelou uma responsável do Banco Mundial, instituição que busca ajudar a mitigar os riscos através de garantias para atrair o setor privado.
Em entrevista à Lusa após participar na reunião de alto nível sobre o mecanismo de coordenação do Corredor do Lobito, na quinta-feira em Luanda, Anna Bjerde declarou que o Banco Mundial pretende apoiar o projeto utilizando instrumentos tanto públicos quanto privados, incluindo garantias para torná-lo “investível” e facilitar parcerias público-privadas.
“O Banco Mundial está bem equipado para fornecer financiamento público e privado, bem como mecanismos de garantia que reduzem o risco e possibilitam maior participação do setor privado”, destacou.
Segundo Anna Bjerde, um dos principais resultados da reunião foi o reconhecimento generalizado de que a falta de coordenação representa um dos maiores riscos ao sucesso do projeto.
Projetos transfronteiriços desta magnitude demandam “um quadro forte de coordenação” entre os três países e também entre os parceiros de desenvolvimento, ressalvou.
Nesse contexto, será criada uma ferramenta de monitorização (“tracker”), que permitirá acompanhar, em tempo quase real, o que cada país e cada parceiro está executando ou planejando.
“Queremos consolidar todas as informações em uma única ferramenta que nos permita monitorar o que os países precisam realizar, o que os parceiros de desenvolvimento estão apoiando e onde podem ocorrer atrasos ou estrangulamentos”, explicou, ressaltando que o instrumento começará a ser usado antes da próxima reunião, programada para o segundo trimestre, em Kinshasa (República Democrática do Congo).
A diretora-geral de Operações do Banco Mundial também enfatizou a importância de eliminar obstáculos nas fronteiras e nas transações comerciais, com o objetivo de reduzir o tempo de transporte dos atuais 25 a 30 dias para cerca de cinco a sete dias.
“Há muitos elementos que precisam ser tratados, como procedimentos, inspeções, formação e harmonização de regras”, exemplificou.
A responsável enfatizou que o Corredor do Lobito não deve se restringir à infraestrutura para transporte de minerais; é importante transformá-lo em um verdadeiro corredor econômico, com investimentos em áreas como a agricultura, onde existem oportunidades de criação de emprego.
“Se conseguirmos aumentar a produtividade dos agricultores e proporcionar acesso a mercados, isso, por si só, gerará muitos empregos”, aponta Anna Bjerde, acrescentando que outras áreas, como logística, cadeias de frio, serviços digitais, indústria e desenvolvimento urbano, também apresentam oportunidades relevantes, especialmente para os jovens.
A responsável reconheceu igualmente os desafios associados à expansão econômica ao longo do corredor, incluindo questões de acesso à terra, defendendo por transparência e compensações para as comunidades afetadas.
No aspecto financeiro, Anna Bjerde sugeriu a combinação de financiamento concessional e investimento privado, destacando que alguns segmentos da infraestrutura exigirão recursos públicos de baixo custo, enquanto outros poderão atrair capital privado com o apoio de garantias. “Precisamos combinar o financiamento público e privado e utilizar estratégias de redução de risco para dar segurança aos investidores”, afirmou.
Anna Bjerde ressaltou que o corredor possui um potencial transformador ao conectar os países envolvidos (Angola, Zâmbia e República Democrática do Congo) ao Atlântico, ampliando o acesso aos mercados globais. Contudo, advertiu que o sucesso dependerá da capacidade de alinhar investimentos, reformas e cronogramas.
“O racional do Corredor do Lobito é muito claro, mas tudo depende de como financiamos, coordenamos e reduzimos os riscos para garantir a viabilidade e sustentabilidade”, concluiu.
O Corredor do Lobito é uma infraestrutura estratégica que liga o Porto do Lobito, em Angola, às regiões mineiras da República Democrática do Congo e da Zâmbia, através do Caminho de Ferro de Benguela.
O corredor é visto como uma plataforma regional para facilitar o comércio transfronteiriço, reduzir os tempos e custos de transporte e conectar países do interior da África Austral e Central ao Oceano Atlântico, promovendo o desenvolvimento econômico ao longo de sua trajetória.
