Uma nova hipótese gravitacional pode clarificar a aceleração cósmica sem a necessidade de energia escura

Uma nova hipótese gravitacional pode clarificar a aceleração cósmica sem a necessidade de energia escura

Por que o universo está se expandindo cada vez mais rapidamente continua a ser uma das maiores questões em aberto na física. As teorias atuais não conseguem explicar completamente esse crescimento acelerado. A imagem padrão do universo de hoje é construída com base na teoria da relatividade geral de Einstein e no modelo padrão da


Por que o universo está se expandindo cada vez mais rapidamente continua a ser uma das maiores questões em aberto na física. As teorias atuais não conseguem explicar completamente esse crescimento acelerado. A imagem padrão do universo de hoje é construída com base na teoria da relatividade geral de Einstein e no modelo padrão da física de partículas. Dentro desse framework, os cientistas geralmente assumem a presença de uma força misteriosa conhecida como “energia escura” para justificar a expansão acelerada do espaço. Apesar de seu uso amplamente difundido na cosmologia, a verdadeira natureza e origem da energia escura ainda são desconhecidas.

Agora, pesquisadores do Centro de Tecnologia Espacial Aplicada e Microgravidade (ZARM) da Universidade de Bremen, em colaboração com colegas da Universidade Transilvana de Brașov, na Romênia, sugerem uma nova maneira de olhar para o problema. Seu trabalho indica que a expansão do universo pode ser explicada – pelo menos parcialmente – sem invocar a energia escura.

Por que a Energia Escura Foi Introduzida em Primeiro Lugar

Os cosmologistas utilizam a teoria da relatividade geral de Einstein junto com as equações de Friedmann para descrever como o universo muda ao longo do tempo. No entanto, quando essas equações são aplicadas a observações astronômicas reais, elas falham. Para se alinhar com o que os telescópios observam, os cientistas precisam adicionar manualmente um “termo de energia escura” extra às equações. Essa adição não é derivada naturalmente da teoria em si, o que há muito a torna uma solução insatisfatória.

Uma Nova Abordagem Usando Gravidade Estendida

Devido a essa limitação, a equipe do ZARM e seus colaboradores romenos exploraram uma ideia alternativa. Seus resultados, publicados na Journal of Cosmology and Astroparticle Physics, baseiam-se em uma extensão da relatividade geral (GR) conhecida como gravidade de Finsler. Essa abordagem foi desenvolvida nos últimos anos e utiliza uma descrição mais ampla da geometria do espaço-tempo.

Diferentemente da formulação padrão de GRT, a gravidade de Finsler pode descrever o comportamento gravitacional de gases com mais precisão. Essa diferença se mostra crucial ao modelar o comportamento em grande escala do universo.

Expansão Acelerada Sem Energia Escura

Quando os pesquisadores aplicaram a gravidade de Finsler às equações de Friedmann, descobriram um resultado surpreendente. As equações modificadas, conhecidas como equações de Friedmann-Finsler, preveem naturalmente um universo em expansão acelerada, mesmo no vácuo. Nenhuma suposição extra é necessária, e nenhum termo adicional de “energia escura” precisa ser adicionado manualmente.

“Esta é uma indicação empolgante de que podemos ser capazes de explicar a expansão acelerada do universo, pelo menos em partes, sem energia escura, com base em uma geometria de espaço-tempo generalizada,” diz Christian Pfeifer, físico do ZARM e membro da equipe de pesquisa. “Esse novo ponto de vista geométrico sobre o problema da energia escura abre novas possibilidades para uma melhor compreensão das leis da natureza no cosmos.”

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