Oriente Próximo: Libertados agentes israelenses investigados por gravações de homicídios na Cisjordânia
Interrogatório de Agentes da Guarda de Fronteira Os agentes ficam, porém, proibidos de contactar outras pessoas envolvidas neste caso, segundo o portal de notícias israelita Ynet. Três agentes da Guarda de Fronteira israelita saíram hoje em liberdade após oito horas de interrogatório sobre seu alegado envolvimento na execução de dois palestinianos desarmados, na quinta-feira na…
Interrogatório de Agentes da Guarda de Fronteira
Os agentes ficam, porém, proibidos de contactar outras pessoas envolvidas neste caso, segundo o portal de notícias israelita Ynet.
Três agentes da Guarda de Fronteira israelita saíram hoje em liberdade após oito horas de interrogatório sobre seu alegado envolvimento na execução de dois palestinianos desarmados, na quinta-feira na Cisjordânia, que foi registrada em imagens de vídeo.
Os agentes ficam, porém, proibidos de contactar outras pessoas envolvidas neste caso, segundo o portal de notícias israelita Ynet.
A advogada que representa os três suspeitos, Sharon Nahari, defende que os agentes “agiram de acordo com as instruções legais quando não tinham outra opção”, uma vez que sentiram que suas vidas “estavam em perigo e abriram fogo”, conforme reportado pelo Ynet.
No vídeo, vê-se dois homens saindo de um edifício em Jenin, no norte da Cisjordânia, que parece um armazém, ajoelhando-se e colocando as mãos na nuca, cercados por homens fardados apontando suas armas.
Mais adiante, ouvem-se vários tiros e os detidos, que não pareciam oferecer resistência, permanecem imóveis no chão.
A organização de direitos humanos israelita B’Tselem identificou as vítimas como Yusef Asasah, de 39 anos, e al-Muntaser Belah Abdalah, de 26.
Os militares israelitas confirmaram na quinta-feira em comunicado que estavam a investigar o incidente com os dois homens palestinianos, que, segundo afirmam, pertenciam a uma “rede terrorista”.
De acordo com o exército, foi realizada naquele dia uma operação em Jenin, um bastião de grupos armados palestinianos, durante a qual as tropas cercaram um edifício onde se encontravam “indivíduos procurados” e “iniciaram um procedimento de rendição”.
O comunicado relatou ainda que, depois de saírem, “foram disparados tiros contra os suspeitos”, acrescentando que o incidente estava sob investigação.
O jornal The Times of Israel noticiou que os agentes da Guarda de Fronteira envolvidos justificaram que as vítimas palestinianas não seguiram suas instruções.
O ministro da Segurança Nacional, o ultranacionalista Itamar Ben Gvir, criticou hoje o interrogatório dos alegados autores das execuções, considerando-o um “procedimento distorcido” contra aqueles que lutam “contra inimigos e assassinos”.
Em comunicado, a diretora da B’Tselem, Yuli Novak, lamentou que em Israel não exista “nenhum mecanismo para impedir o assassinato de palestinianos ou para processar os responsáveis”, instando a comunidade internacional “a acabar com a impunidade e exigir responsabilização”.
A Autoridade Palestiniana, por sua vez, anunciou na quinta-feira a morte de dois homens, de 26 e 37 anos, vítimas de disparos israelitas em Jenin, tendo compartilhado também o conteúdo do vídeo.
“O Ministério dos Negócios Estrangeiros condena veementemente o crime hediondo de execução sumária perpetrado pelo exército de ocupação israelita”, acusou a diplomacia palestiniana.
Este caso, acrescentou o ministério, constitui “um crime de guerra documentado e completo, e uma violação flagrante de todas as leis, convenções internacionais, normas e valores humanos”.
O grupo islamita Hamas, que gere a Faixa de Gaza desde 2007, também condenou o episódio, que considera corresponder ao “total desprezo pelo sangue palestiniano”, em violação de todas as leis e normas humanitárias.
“A execução a sangue frio de dois jovens palestinianos desarmados em Jenin pelas forças de ocupação, apesar de terem saído de casa e não representarem qualquer ameaça, expõe mais uma vez a mentalidade criminosa que rege o comportamento da ocupação”, acusou o Hamas, referindo-se a Israel.
A Cisjordânia atravessa, desde o início da guerra na Faixa de Gaza, em 7 de outubro de 2023, uma escalada de violência associada à expansão da ocupação israelita e agressões contra a população palestiniana e destruição de bens.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos morreram na Cisjordânia desde 7 de outubro de 2023 e meados de novembro em ataques atribuídos ao exército e colonos judeus.
Outubro registrou mais ataques de colonos na Cisjordânia (264) do que qualquer outro mês desde o início da coleta de dados em 2006, coincidindo com raides de habitantes judeus nos olivais do território durante a última campanha de colheita de azeitonas.
