Luís Tinoco: Composições para Orquestra e Solista no Álbum ‘Kokyuu’ – PPulse
Informações sobre o álbum O álbum apresenta orquestras com as quais Luís Tinoco tem colaborado frequentemente: a Metropolitana de Lisboa, sob a direção de Pedro Neves, e a Orquestra Sinfónica da Casa da Música, conduzida por Joana Carneiro. Os solistas Os solistas, referidos por Tinoco como um grupo de “acolhedores e amigos,” incluem a cantora…
Informações sobre o álbum
O álbum apresenta orquestras com as quais Luís Tinoco tem colaborado frequentemente: a Metropolitana de Lisboa, sob a direção de Pedro Neves, e a Orquestra Sinfónica da Casa da Música, conduzida por Joana Carneiro.
Os solistas
Os solistas, referidos por Tinoco como um grupo de “acolhedores e amigos,” incluem a cantora Lívia Nestrovski, o violoncelista Filipe Quaresma, o acordeonista João Barradas, o clarinetista Horácio Ferreira e o saxofonista Ricardo Toscano.
Conteúdo do CD
O primeiro CD contém três peças: “Kokyuu,” um concerto para saxofone alto e orquestra, Work Songs e Concerto para Violoncelo nº 2; o segundo disco, gravado ao vivo na Casa da Música no Porto, inclui o Concerto para Acordeão e “Entre Silêncios,” um concerto para clarinete e orquestra.
Significado de “Kokyuu”
O nome “Kokyuu” refere-se ao Japão e pode significar um instrumento de cordas ou respiração, dependendo do contexto. Luís Tinoco explicou que o escolheu por seu significado como “respiração.”
Declarações do compositor
“Foquei-me mais no conceito de respiração. O álbum é intitulado ‘Kokyuu’ porque o nome em si parecia mais interessante do que algo como ‘concerto para orquestra e solistas.’ Há também esse aspecto da plasticidade sonora da palavra, mas principalmente porque é um conceito que efetivamente resume o tipo de gesto musical presente nas cinco obras, que busca equilíbrio e boa respiração,” disse o agraciado com o Prêmio Pessoa 2024.
“Infelizmente, nos últimos anos, isso não tem sido possível por razões pandêmicas enquanto eu escrevia ‘Kokyuu,’” acrescentou o compositor, referindo-se à pandemia de COVID-19.
Além disso, Luís Tinoco continuou: “Social e politicamente, o que nos envolve é uma distopia, impensável e aparentemente irreversível, progredindo de forma quase sufocante.”
“Essa música busca encontrar aquela boa respiração, aquele espaço, aquela tranquilidade que nos falta,” acrescentou.
Representação sonora
Em “Kokyuu,” “os instrumentos de sopro de alguma forma representam essa busca por equilíbrio, esse fôlego ausente.”
“Além disso, o tipo de soluções musicais, ambientes e paisagens sonoras exploradas neste concerto reaparecem, em certa medida, nas outras peças do álbum. Portanto, foi a peça que melhor e mais precisamente representa, de forma global, estes cinco concertos,” argumentou.
Escolha de solista
A escolha de Ricardo Toscano permite que a peça seja ouvida por um solista “com uma cor instrumental completamente diferente” da gravação anterior de João Pedro Silva, que é “mais clássica” e com a qual Tinoco afirmou estar “super feliz.”
Work Songs
As Work Songs, para voz e orquestra, com a “voz natural” de Lívia Nestrovski, foram compostas para a Orquestra Sinfónica Portuguesa para estrear na sede da UNESCO em Paris. No entanto, foi estreada cinco dias antes, em 30 de abril de 2022, no Cine-Teatro Avenida em Castelo Branco.
Os três movimentos da peça são inspirados em canções de trabalho de Portugal e Cabo Verde, com uma improvisação livre de Nestrovski sobre um fundo orquestral ao final da terceira canção, encerrando com uma citação de “Meu Barco é Veleiro,” uma melodia gravada em 1938 em Pernambuco, Brasil, interpretada por um grupo de transportadores de piano.
Concerto para Violoncelo nº 2
A terceira peça é o Concerto para Violoncelo nº 2 para uma pequena orquestra de câmara, estreado no ano passado, encomendado pela Artway para o projeto “Beyra” e, assim como o 1º Concerto, escrito para ser estreado por Filipe Quaresma, “confirmando a afinidade com o instrumento, bem como com o violoncelista,” a quem Tinoco admira.
Concerto para Acordeão
O Concerto para Acordeão, com duração aproximada de 20 minutos, foi encomendado pelo Centro Cultural de Belém e Casa da Música e abre o segundo CD, que inclui também “Entre Silêncios,” um concerto para clarinete e orquestra de 2019, encomendado pela Fundação Gulbenkian. Ambas as peças foram gravadas ao vivo na Casa da Música, com sua Orquestra Sinfónica.
Formação de Luís Tinoco
Luís Tinoco estudou na Escola Superior de Música de Lisboa (ESML) e no Reino Unido, onde obteve seu doutorado pela Universidade de York. Ele é professor na ESML, colaborou com a Antena 2 como autor e produtor de programas de rádio, e atuou como diretor artístico do Prêmio e Festival de Jovens Músicos.
Foi compositor residente no Teatro de S. Carlos entre 2016 e 2018 e artista associado à Casa da Música em 2017.
