Um dos fundadores da fintech portuguesa abandonou a Agência Espacial Europeia para se dedicar a um projeto voltado para o combate à fraude financeira. Essa decisão mostrou-se acertada. A avaliação da Feedzai é de 1,7 mil milhões de euros e, em 2024, a empresa foi responsável pelo processamento de 6,8 biliões de euros. A Feedzai,
Um dos fundadores da fintech portuguesa abandonou a Agência Espacial Europeia para se dedicar a um projeto voltado para o combate à fraude financeira. Essa decisão mostrou-se acertada. A avaliação da Feedzai é de 1,7 mil milhões de euros e, em 2024, a empresa foi responsável pelo processamento de 6,8 biliões de euros.
A Feedzai, uma fintech de Coimbra, foca na aplicação de inteligência artificial para prevenir fraudes no sistema financeiro e é um dos unicórnios ativos em Portugal (termo que define uma empresa privada com avaliação superior a um bilião de dólares ou 850 milhões de euros na taxa de câmbio atual).
A organização teve seu valor elevado para dois biliões de dólares (1,7 mil milhões de euros) no dia 2 de outubro, resultado de sua última rodada de financiamento, que atingiu 75 milhões de dólares (63,9 milhões de euros), na qual a Garrigues atuou como conselheiro legal. Liderada por Nuno Sebastião e Pedro Bizarro, a Feedzai foi responsável pelo processamento de oito triliões de dólares (6,8 biliões de euros) em 2024, conforme declarado pela empresa.
Esse desempenho foi crucial para convencer o Banco Central Europeu (BCE) a escolher, também no dia 2 de outubro, a Feedzai como a guardiã do futuro euro digital. A fintech portuguesa terá a responsabilidade de desenvolver o mecanismo central de detecção e prevenção de fraudes para o euro digital.
“Representando 440 milhões de cidadãos e mais de 17 biliões de dólares (14,4 biliões de euros) em Produto Interno Bruto (PIB), a zona euro é a segunda maior economia do mundo. A implementação do euro digital representaria a maior inovação monetária na Europa desde a introdução da moeda única [o euro] em 1999. O acordo-quadro [entre o BCE e a Feedzai] para a gestão de risco e fraude tem um valor estimado em 79,1 milhões de euros, podendo atingir até 237,3 milhões de euros. Em colaboração com a sua prestadora de serviços PwC, a Feedzai fornecerá um mecanismo central de detecção e prevenção de fraudes de última geração, assegurando total conformidade com as normas de segurança, privacidade e proteção de dados da União Europeia (UE),” afirmou o anúncio que confirmou a fintech portuguesa como guardiã do euro digital.
O CEO da Feedzai expressou que é uma “honra e responsabilidade” ser selecionada como a primeira classificada no acordo-quadro para garantir o euro digital.
“Com dezenas de milhares de milhões de transações esperadas em toda a zona euro, o sucesso depende de uma inteligência artificial que evolua tão rapidamente quanto a fraude. Nossa função é fornecer a inteligência necessária para manter afastadas até as fraudes mais sofisticadas, garantindo confiabilidade em todas as transações digitais em euros desde o primeiro dia,” acrescentou Nuno Sebastião.
Liviu Chirita, Líder Global de Tecnologia para Crimes Financeiros da PwC, e Dominik Schauerte, Líder de Tecnologia para Crimes Financeiros na Alemanha, destacaram que o [euro digital] é um dos projetos de infraestrutura digital “mais importantes” da história da Europa, sendo uma base para a confiança na era digital.
“Junto com a Feedzai e o BCE, estamos construindo as salvaguardas que protegerão milhões de pessoas e empresas. Na PwC, trazemos a escala, a expertise e o conhecimento regulatório necessários para garantir essa transformação desde o início. Não se trata apenas de prevenir fraudes, mas de capacitar a Europa para liderar com integridade, resiliência e soberania tecnológica,” ressaltaram Liviu Chirita e Dominik Schauerte.
Este ano, a Feedzai já esteve envolvida no lançamento, junto com a PwC Brasil, do Centro de Excelência para a Prevenção do Crime Financeiro, e anunciou a aquisição da Demyst, com o objetivo de fornecer às instituições financeiras “os dados em tempo real, a análise e a inteligência artificial confiável necessárias para tomar as melhores decisões de risco possíveis.”
Em março deste ano, a fintech portuguesa anunciou também a abertura de um escritório em Nova Iorque (Estados Unidos).
Tecnologia permite detetar mais fraudes
De acordo com informações do site oficial da Feedzai, a tecnologia da fintech permite que bancos de nível 1 (aqueles com capital consolidado de alta qualidade) detectem 62% mais fraudes, reduzam em 72% os falsos positivos e implementem o modelo 25 vezes mais rapidamente.
Entre os investidores da fintech estão a KKR, Sapphire Ventures, Financial Technology Partners, OAK e Armilar. A empresa também conta com parceiros como Amazon Web Services (AWS), Deloitte, EY, PwC e Capgemini.
Da agência espacial para a prevenção da fraude
Para aqueles que pensam que um background em finanças ou áreas relacionadas seria a chave para o sucesso da Feedzai, podem se decepcionar. Um dos fundadores e atual CEO e chairman, Nuno Sebastião, tem um histórico na engenharia e na Agência Espacial Europeia, onde já se relacionava com várias startups tecnológicas.
Por sua vez, Pedro Bizarro, outro dos fundadores da fintech, possui doutorado em Ciência da Computação pela Universidade de Wisconsin-Madison e colabora com diversas instituições de ensino em Portugal e no exterior. Ele é professor visitante na Universidade de Lisboa – Instituto Superior Técnico (IST), professor assistente na Universidade de Coimbra e professor visitante na Universidade Carnegie Mellon.
Bizarro é também bolseiro Fulbright e membro do Programa Global Innovator do Fórum Econômico Mundial.
Esse ambiente pode ter sido um dos motivos que levaram Nuno Sebastião a se juntar a Paulo Marques e Pedro Bizarro em 2011 para criaram a Feedzai, com a meta de combater a fraude financeira por meio da tecnologia de machine learning.
“Não somos uma fintech típica. Nossos fundadores desenvolveram suas habilidades na Agência Espacial Europeia, enfrentando desafios que são literalmente de outro mundo. Hoje, canalizamos essa precisão e inovação para proteger o sistema financeiro global. […] Não nos limitamos a processar números, analisamos milhares de milhões de pontos de dados anualmente, utilizando modelos baseados em inteligência artificial para detectar e prevenir fraudes em tempo real. Mas não nos restringimos apenas à fraude; ajudamos as instituições a alcançar conformidade e a impedir atividades ilícitas, combatendo o branqueamento de capitais e o crime organizado,” destacam os representantes do unicórnio português.

















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