Companhias europeias buscam diminuir a influência da China nas redes de suprimentos

Companhias europeias buscam diminuir a influência da China nas redes de suprimentos

Pressão Comercial da China Gera Inquietação “A disposição da China em usar o seu domínio (…) para pressionar os seus parceiros comerciais, por exemplo, através de restrições à exportação, está a gerar mal-estar cada vez maior em outros países”, observou o relatório da Câmara de Comércio da União Europeia. Desafios para as Cadeias de Abastecimento



Pressão Comercial da China Gera Inquietação

“A disposição da China em usar o seu domínio (…) para pressionar os seus parceiros comerciais, por exemplo, através de restrições à exportação, está a gerar mal-estar cada vez maior em outros países”, observou o relatório da Câmara de Comércio da União Europeia.

Desafios para as Cadeias de Abastecimento

As empresas europeias estão a tentar reduzir a dependência da China nas cadeias de abastecimento globais, em resposta às restrições na venda de matérias-primas essenciais, segundo um relatório recente da Câmara de Comércio da União Europeia na China.

O documento advertiu sobre a “influência considerável” de Pequim nas cadeias industriais globais, que “dependem agora em grande medida” das exportações da China.

Exemplo das Restrições de Exportação

“A disposição da China em usar o seu domínio (…) para pressionar os seus parceiros comerciais, por exemplo, através de restrições à exportação, está a gerar mal-estar cada vez maior em outros países”, repetiu o relatório.

Um exemplo significativo mencionado pela Câmara são as restrições que Pequim impôs à venda de terras raras – essenciais para a fabricação de ‘chips’ e automóveis, além de serem cruciais para a indústria de Defesa.

Estratégias da Europa

“Bruxelas está agora a considerar seriamente como reduzir a sua dependência da China em matérias cruciais”, lê-se no relatório.

Embora a força dos agrupamentos industriais do país asiático torne muitas empresas internacionais dependentes “para continuarem a ser competitivas”, questões geopolíticas como a guerra comercial com os EUA levaram-nas a “abrir os olhos” para “os perigos de depender de um único país”, especialmente no caso da China.

Alternativas e Flexibilidade

O Presidente da Câmara de Comércio em Xangai, Carlo D’Andrea, reconheceu que, “a curto prazo, a alternativa à China é a China, embora (…) outros países estejam a aproximar-se”, como o Vietname no setor têxtil ou a Indonésia na indústria transformadora, além do investimento da Malásia na produção de semicondutores.

As empresas estão “a dar mais prioridade à resistência e flexibilidade do que aos custos e à eficiência”, explicou o organismo.

Desafios e Relações Comerciais

Este não é o único ponto de atrito entre Pequim e Bruxelas: com a referida guerra tarifária e a fraqueza da procura interna, a China aumentou suas exportações para a UE a um ritmo acelerado, mas não resolveu os problemas das empresas europeias que operam no país asiático.

Segundo o grupo empresarial, Pequim “sabia que podia contar com a UE como um parceiro comercial estável, embora insatisfeito”, mas as questões mencionadas podem agora levar Bruxelas a “adotar uma estratégia mais ofensiva com relação à sua política em relação à China”.

Reflexões sobre o Futuro

“Durante muitos anos, pensámos que a China mudaria, mas agora percebemos que não mudará. Tem um negócio demasiado bom. (…) A Europa começou a perceber que, se não mudar a sua estratégia em relação à China, a China não mudará”, esclareceu D’Andrea.

Assim, a capacidade de controle de Pequim sobre as cadeias de abastecimento “poderá diminuir com o tempo, à medida que as iniciativas de autossuficiência de outros países amadurecem”.

Perspectivas de Longo Prazo

“Aos poucos, a China está a tornar-se uma simples peça de um quebra-cabeças global, talvez com riscos inerentes demais para manter seu domínio indefinidamente”, alertou o relatório, que aponta que, se Pequim mantiver seu rumo na política comercial, “o atual clima de incerteza global veio para ficar a longo prazo”.

No entanto, as empresas europeias que hoje operam na China “permanecerão lá o máximo de tempo possível” para aproveitar o ambiente de inovação e uma “capacidade de produção sem paralelo”.

Riscos e Impactos no Futuro

“Mas tanto a sua vontade como a sua capacidade de colocar a China no centro das suas cadeias de abastecimento globais poderão ser prejudicadas, dependendo de como a China decidir continuar a usar seu domínio atual como ferramenta de pressão e de como o fizer”, apontou o grupo.


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