A produção de mel caiu cerca de 70% na região Transmontana. Por quê? – PPulse

A produção de mel caiu cerca de 70% na região Transmontana. Por quê? – PPulse

Perdas Significativas na Produção de Mel em Portugal A Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) relatou perdas significativas na produção de mel na região da Terra Quente, com estimativas de várias toneladas perdidas. Isso é atribuído às condições climáticas flutuantes, conforme descrito: “As colmeias estavam prontas para produzir, e assim que começaram, quando havia

Perdas Significativas na Produção de Mel em Portugal

A Federação Nacional dos Apicultores de Portugal (FNAP) relatou perdas significativas na produção de mel na região da Terra Quente, com estimativas de várias toneladas perdidas. Isso é atribuído às condições climáticas flutuantes, conforme descrito: “As colmeias estavam prontas para produzir, e assim que começaram, quando havia floração, a temperatura mudou drasticamente.”

Manuel Gonçalves, presidente da FNAP e da Associação de Apicultores do Parque Natural de Montesinho, explicou a situação mais detalhadamente: “Estava um tempo agradável, e 20 dias depois virou chuvoso, ventoso, com temperaturas muito baixas. As abelhas se retraíram, pararam de pôr ovos, as abelhas mais velhas morreram, não houve renovação, o número de abelhas na colmeia diminuiu, elas não conseguiram se recuperar e não houve produção.”

A área protegida de Montesinho viu suas colmeias severamente afetadas. Maria João Pires, apicultora em Bragança, possui cerca de 900 colmeias que produziram pouco mais de 20% do mel esperado. “É muito complicado para nós, produtores, porque contávamos com essa produção para vender, e com uma perda de 80%, é muito difícil vender o produto,” afirmou.

Ela destacou o impacto das constantes mudanças climáticas e dos incêndios, com o Parque Natural de Montesinho sofrendo um incêndio em julho que destruiu a flora vital para as abelhas. A única alternativa é alimentar as colmeias: “Ou fazemos isso, ou as abelhas morrem,” explicou, observando os “custos mais altos” e “sem apoio.” “Ou temos fundos para investir, ou não conseguimos suplementar e acabamos perdendo as colmeias, o mel, tudo,” enfatizou.

Pires pede por “apoio governamental significativo” para permitir que os produtores se sustentem. Ela argumenta que os subsídios fornecidos são “inadequados” e não busca ajuda porque “não vale a pena.”

Outro apicultor afetado, Francisco Peres, possui cerca de 200 colmeias em Mirandela, com uma queda de produção “muito grande.” “Uma redução de cerca de 50% ou mais. Aqui, com essas 40 colmeias, costumo colher 1.000 quilos de mel; este ano, não cheguei a 300 quilos,” lamentou.

Francisco também critica o apoio devido à crise contínua do setor de apicultura. “Essas colmeias foram tratadas quatro vezes este ano, e a ajuda é apenas para dois tratamentos, então não é suficiente,” afirmou.

Mirandela foi um dos municípios atingidos por incêndios neste verão. José Domingos, presidente da Cooperativa do Mel da Terra Quente e Frutos Secos, revelou que mais de 10.000 colmeias foram consumidas pelas chamas, com alguns produtores perdendo quase 300 colmeias.

Diante desse cenário, Domingos teme que alguns apicultores possam abandonar seu trabalho. “No ano passado, a produção esteve abaixo da média, mas foi aceita. Este ano, manter as colmeias não foi possível. Se estamos trabalhando, gastando dinheiro—o que quer que seja na apicultura é dispendioso—então não há renda, as pessoas consideram desistir,” comentou.

Diz-se que “a miséria ama a companhia;” após uma primavera instável e incêndios no verão, o outono traz uma severa ameaça do vespa asiática ou Velutina, que predador das abelhas. “Por causa da Velutina, as abelhas não saem de suas colmeias. Se não as alimentarmos, morrem de fome,” explicou Francisco Peres, que tem “11 armadilhas” em uma colmeia de cerca de 40 colmeias, capturando “centenas” de vespas asiáticas. “Esse é um problema muito sério,” assegurou.

Tão grave que pode ameaçar o setor agrícola e a existência humana, uma vez que as abelhas contribuem para a produção de alimentos através da polinização. “A agricultura também está em risco. A apicultura estimula tudo isso, garantindo a produção. Se começarmos a declinar, desistindo [da apicultura], especialmente os pomares de amêndoas terão dificuldades em sua produção,” afirmou José Domingos.

Em toda a região norte, devido aos incêndios, dados da FNAP indicam que 14.000 colmeias foram afetadas, com cerca de 4.000 destruídas.

Sobre o suporte ao potencial produtivo, o presidente da FNAP, Manuel Gonçalves, revelou que para abordar as perdas, os apicultores são pagos por “serviços de polinização,” particularmente em plantações de amêndoas e nozes, proporcionando “uma renda que compensa a produção em declínio.”

Os produtores de mel cujas colmeias foram destruídas pelo fogo também poderiam acessar uma assistência governamental de 10.000 euros.

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