Banco Central projeta expansão robusta de 2% e 2,3% para este e o próximo ano
O Banco Central indica que a “economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto num contexto externo caracterizado por tensões comerciais, elevada incerteza e apreciação do euro”. No que diz respeito ao orçamento, o défice não deverá ser uma realidade este ano, mas a previsão para 2026 permanece, embora seja significativamente menor do que…
O Banco Central indica que a “economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto num contexto externo caracterizado por tensões comerciais, elevada incerteza e apreciação do euro”. No que diz respeito ao orçamento, o défice não deverá ser uma realidade este ano, mas a previsão para 2026 permanece, embora seja significativamente menor do que os 1,3% anteriormente projetados.
Atualizações Macroeconômicas
O Banco de Portugal (BdP) atualizou suas previsões macroeconômicas nesta sexta-feira com a divulgação do Boletim Econômico de dezembro, revisando para cima as expectativas de crescimento para este ano e o seguinte. O banco central agora prevê um crescimento de 2% para este ano e 2,3% em 2026, em ambos os casos uma revisão positiva de 0,1 pontos percentuais (pp).
Nas previsões anteriores, de setembro, o cenário esperava um crescimento do PIB de 1,9% para este ano, 2,2% para o próximo e 1,7% em 2027, mesmo diante de um difícil contexto internacional.
Desempenho da Economia
No Boletim de dezembro, o BdP argumenta que “a economia portuguesa continua a crescer a um ritmo robusto em um cenário externo marcado por tensões comerciais, elevada incerteza e apreciação do euro”, situações que têm sido mitigadas “pelo alívio das condições financeiras, pelo aumento dos fundos da UE e pela abordagem expansionista da política orçamentária”.
O consumo privado foi revisado em alta em 0,3 pp, alcançando 3,6% este ano e no próximo. A projeção de investimento também subiu, passando de 3% para 4% em 2025 e de 5,3% para 6% em 2026. Paralelamente, as exportações devem crescer mais do que o esperado em setembro, sendo atualizadas de 2,2% para 2,6%, enquanto as importações devem aumentar 5,3% este ano e 3,5% no próximo, acima das previsões anteriores de 4,7% e 2,8%.
Perspectivas Futuras
Essa projeção é consistente com a ideia de que “a procura interna se beneficia da robustez do mercado de trabalho e do impulso da política orçamentária e dos fundos europeus, especialmente em 2025–2026”. Contudo, “constrangimentos demográficos na oferta de trabalho resultam em menores aumentos na ocupação ao longo do período de projeção, refletindo-se na renda disponível das famílias e no consumo privado”.
Em relação à inflação, a expectativa atual é que o índice nominal seja 0,2 pp mais alto em 2026 do que o projetado em setembro, atingindo 2,1%. Entretanto, a inflação subjacente mostra um perfil oposto ao anteriormente previsto: 2,2% em 2025 e 2,3% em 2026, em contraste com as taxas de 2,3% e 2,2% mencionadas no documento de setembro.
Expectativas Orçamentais
Além das previsões macroeconômicas, o BdP também fez sua estreia nas perspectivas orçamentais, embora apenas de forma semestral. No exercício anterior, em julho, o banco central previa um leve défice de 0,1% para este ano, que se deterioraria para 1,3% em 2026.
No exercício atualizado hoje, Portugal apresenta um saldo nulo este ano antes de retornar aos défices, embora os 0,4% anticipados representem uma melhoria em relação ao cenário anterior. Após 2026, o BdP espera défices de 0,9% e 1% do PIB, respectivamente, em 2027 e 2028.
“Essa trajetória reflete uma deterioração significativa no período recente, explicada principalmente pela adoção de medidas de redução de impostos e pelo aumento contínuo das despesas”, destaca o Boletim, apesar de “a composição do crescimento económico ter favorecido a receita fiscal e contributiva, atenuando parcialmente essa deterioração”.
Dívida Pública
Quanto à dívida, o BdP previa uma queda contínua do indicador em relação ao PIB, com 91,1% para este ano, 88,4% no próximo e 85,8% em 2027; no entanto, esse cenário foi ajustado para números mais otimistas. O rácio deve cair para 88,2% este ano e para 84% no próximo, mantendo um perfil de descida até 79,5% em 2028.
