Imported Article – 2026-03-22 09:30:11

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As eleições de 24 de março representam uma tentativa da atual primeira-ministra de superar as dificuldades impostas pela coligação tripartida. No entanto, as sondagens não parecem favorecer essa possibilidade. Há meses, a Dinamarca enfrenta forte pressão dos Estados Unidos em relação às suas ambições expansionistas sobre a Gronelândia, um território autônomo sob administração dinamarquesa, devido…



As eleições de 24 de março representam uma tentativa da atual primeira-ministra de superar as dificuldades impostas pela coligação tripartida. No entanto, as sondagens não parecem favorecer essa possibilidade.

Há meses, a Dinamarca enfrenta forte pressão dos Estados Unidos em relação às suas ambições expansionistas sobre a Gronelândia, um território autônomo sob administração dinamarquesa, devido a questões de segurança regional e controle de recursos raros. Mette Frederiksen, uma social-democrata do Partido Social Liberal (SD), lidera o governo desde meados de 2019, mas está limitada pela necessidade de consenso dentro da coligação tripartida, que inclui o SD, o Partido Liberal, liderado pelo atual ministro da Defesa, Troels Lund Poulsen, e o Partido Moderado, centrado sob a liderança do ministro dos Negócios Estrangeiros, Lars Lokke Rasmussen, que já ocupou o cargo de primeiro-ministro.
As tensões provocadas pela investida norte-americana, cujos contornos ainda não estão claros, mas que oscilam entre a compra do território e uma aliança que colocaria o poder na Gronelândia sob controle de Washington, levaram a primeira-ministra a dramatizar a situação. “Já não são os nossos aliados mais próximos”, disse Frederiksen durante um debate televisivo frente ao ministro Troels Lund Poulsen, que se tornou seu adversário eleitoral. Ela também destacou o Canadá como os ‘novos amigos’ da Dinamarca.
Entretanto, as sondagens indicam que essa estratégia não está surtindo muito efeito. O ‘seu’ SD acumula intenções de voto em torno de 20%, abaixo dos 23% alcançados há um ano, embora tenha registrado um leve aumento em relação aos 18% de dezembro. A única vantagem é que seus concorrentes diretos também não estão apresentando desempenho melhor.
O Partido Popular Socialista, que apoia o governo, mantém-se em segundo lugar com 13% das intenções de voto, abaixo dos 14% do ano passado e do pico de 15% registrado em dezembro. O Partido Liberal permanece entre 11% e 12% ao longo dos últimos 12 meses, sem conseguir se distanciar do terceiro lugar, frequentemente ameaçado pela direita nacionalista do Venstre e até pela extrema-direita do Partido Popular da Dinamarca.
O principal destaque nas sondagens é a estabilidade das intenções de voto ao longo de 12 meses, indicando que a distribuição parlamentar dos 179 lugares deverá se manter bastante semelhante à atual: a primeira-ministra assegura 48 lugares, seu bloco soma um total de 94 lugares e a oposição liderada pelo Partido Liberal, Venstre, ocupa 42 lugares.
Vale lembrar que os dinamarqueses elegem 175 deputados, com os restantes quatro divididos entre os representantes dos dois territórios autônomos do reino, Gronelândia e Ilhas Faroé. A esquerda desses territórios, que elegeu um deputado por cada um, integra o bloco que apoia a atual primeira-ministra.

Foco na Gronelândia

O foco eleitoral na Gronelândia vai além das intenções norte-americanas, quaisquer que sejam. De fato, após décadas em que a Dinamarca não se destacou pela sua amizade com o povo da Gronelândia, a ilha gelada é agora observada pela primeira-ministra e, de modo geral, pelos principais partidos do país, como a ‘próxima fronteira’, onde a potência administrante deseja aumentar sua presença. Além disso, Frederiksen tem enfatizado ao longo da campanha eleitoral a cooperação na região nórdica — e especificamente um possível novo relacionamento com o Canadá — como uma de suas decisões a serem implementadas imediatamente. “Quando perguntam: ‘quem são os nossos aliados mais próximos hoje?’, a resposta é: a Europa, os países nórdicos e parceiros como o Canadá, por exemplo”, declarou Frederiksen.
Por sua vez, o líder do Partido Liberal, que tem desempenhado um papel central na crise da Gronelândia como ministro dos Negócios Estrangeiros, anunciou a intenção de duplicar o número de recrutas nas Forças Armadas dinamarquesas, uma proposta prontamente apoiada pela primeira-ministra. A Dinamarca também planeja instalar novos quartéis em Funen, uma das maiores ilhas do país, e Tirstrup, na costa leste, conforme comunicado do partido do ministro da Defesa, publicado após o anúncio de Poulsen no debate e citado pela Lusa.


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