A Europa fica para trás na revolução mundial da eletrônica e da inteligência artificial
A Zona Euro está perdendo competitividade em relação à média mundial. Enquanto o setor de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) cresce 10,3% globalmente, a produção europeia estagna em apenas 1,3%, devido à falta de especialização em chips de última geração. Cenário atual da indústria de TIC A indústria global de eletrônica e TIC continua…
A Zona Euro está perdendo competitividade em relação à média mundial. Enquanto o setor de Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) cresce 10,3% globalmente, a produção europeia estagna em apenas 1,3%, devido à falta de especialização em chips de última geração.
Cenário atual da indústria de TIC
A indústria global de eletrônica e TIC continua a apresentar um sólido crescimento, mas a Europa corre o risco de ficar para trás. Segundo um estudo recente da Crédito y Caución, a produção mundial do setor deverá crescer 10,3% este ano, impulsionada pela demanda por Inteligência Artificial (IA). Em um contraste significativo, a Zona Euro deverá registrar um aumento de apenas 1,3%.
Divergência na especialização
O relatório aponta a especialização como o fator principal desta discrepância. O mercado global está sendo impulsionado pelos semicondutores de alta qualidade voltados para centros de dados de IA, com vendas esperadas para aumentar 18,8% em 2026.
“Atualmente, prevê-se que as vendas globais de semicondutores cresçam 18,8% este ano, após um aumento de 22,8% em 2025, impulsionadas pelos chips de última geração para centros de dados de IA. A Europa, no entanto, encontra-se na última posição em termos de crescimento neste setor, com previsões para 2026 de apenas 1,3%, em comparação com a média global de 10,3%. A Zona Euro está perdendo competitividade, pois não se especializa na produção de chips de alta qualidade utilizados para IA, nem houve um forte aumento nos investimentos neste setor até agora”, afirma a seguradora de crédito.
Foco europeu e desafios
A Europa mantém o foco na produção de chips para os setores automotivo e industrial. Embora essa estratégia esteja alinhada com a estrutura econômica da região, a falta de um investimento robusto em chips de última geração está comprometendo a competitividade do bloco europeu.
A União Europeia busca inverter essa tendência com a Lei dos Chips, que prevê um investimento de 43 bilhões de euros para alcançar 20% da produção global até 2030. No entanto, a Crédito y Caución alerta que atingir esse objetivo será “muito difícil” dadas as dinâmicas atuais.
Perspectivas de crescimento
A produção de produtos eletrônicos e de TIC deverá manter os níveis de crescimento atuais de 2025, em torno de 10,3%, mas enfrentará uma queda em 2027, com uma previsão de 6,5%, conforme um estudo recente da Crédito y Caución.
Essas sólidas taxas de crescimento são atribuídas, principalmente, ao atual aumento da inteligência artificial, fundamental tanto para empresas quanto para estratégias geopolíticas, gerando grandes investimentos no setor.
No entanto, o cenário enfrenta riscos externos significativos, especialmente devido às tensões geopolíticas e ao deterioramento das relações entre China e EUA, que ameaçam as cadeias de suprimento das TIC e da eletrônica. Além disso, as barreiras comerciais decorrentes da imposição de tarifas sobre eletrônicos importados sem isenções aumentam os custos.
Defesa como motor de futuro
A longo prazo, o relatório identifica um fator de resiliência para a indústria europeia: o aumento dos gastos militares. Com a flexibilização das regras fiscais em países como a Alemanha, o fortalecimento da defesa deverá injetar novo fôlego no setor eletrônico regional, embora o crescimento no curto prazo continue aquém das potências tecnológicas globais.
