Crescimento nas vendas de remédios para emagrecimento atinge mais de quinhentas mil unidades em 2025

Crescimento nas vendas de remédios para emagrecimento atinge mais de quinhentas mil unidades em 2025

Crescimento do Mercado de Medicamentos para Obesidade em 2025 Segundo dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF), com base em informação da Health Market Research (HMR), o “crescimento significativo” em 2025 foi “impulsionado principalmente pela entrada do Mounjaro e do Wegovy” no mercado em Portugal. Venda de Medicamentos para Obesidade A venda de medicamentos para…



Crescimento do Mercado de Medicamentos para Obesidade em 2025

Segundo dados da Associação Nacional de Farmácias (ANF), com base em informação da Health Market Research (HMR), o “crescimento significativo” em 2025 foi “impulsionado principalmente pela entrada do Mounjaro e do Wegovy” no mercado em Portugal.

Venda de Medicamentos para Obesidade

A venda de medicamentos para a obesidade disparou em 2025, ultrapassando meio milhão de embalagens vendidas, quase cinco vezes mais do que em 2024, apesar de não serem comparticipados e poderem custar mais de 300 euros por mês.

Dados Históricos de Vendas

Os dados divulgados à agência Lusa, a propósito do Dia Mundial da Obesidade, hoje assinalado, mostram uma procura crescente por estes fármacos desde 2019, ano em que foram vendidas 45.787 embalagens, até chegar às 572.256 em 2025.

Em 2020 foram vendidas 46.500 (+1,6%) embalagens, número que subiu para 55.173 (+18,7%) em 2021, 60.259 (+9,2%) em 2022, 82.513 (+36,9%) em 2023, 119.588 (+44,9%) em 2024 e alcançou 572.256 (+378,5%) no ano passado.

Medicamentos Disponíveis

Atualmente, estão disponíveis no mercado em Portugal, para o tratamento da obesidade, medicamentos contendo Orlistato, Mysimba (bupropiom + naltrexona), Saxenda (liraglutido), Wegovy (semaglutido) e Mounjaro (tirzepatida).

A Associação Nacional de Farmácias ressalva que o Mounjaro possui indicações terapêuticas para a diabetes mellitus tipo 2 e controlo de peso.

Reivindicação de Comparticipação

A comparticipação destes fármacos tem sido reivindicada por especialistas, médicos e associações de doentes, que defendem a sua importância no combate à obesidade.

Tratamento Cirúrgico

Outra das estratégias de tratamento é a cirurgia bariátrica/metabólica, cuja atividade aumentou no Serviço Nacional de Saúde em 2025.

Segundo dados da Direcção Executiva do SNS, foram realizadas, em 2025, 4.005 cirurgias, mais 312 do que em 2024 (3.693) e mais 581 comparativamente a 2023 (3.424).

O tempo médio de espera para cirurgia foi de 4,75 meses, referem os dados, segundo os quais, no final de 2025, 1.811 doentes estavam na lista de inscritos para cirurgia.

A lei estabelece que as cirurgias de prioridade normal devem ser realizadas num prazo máximo de seis meses (180 dias).

Perspectivas do Tratamento Cirúrgico

Em declarações à Lusa, a presidente da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM), Paula Freitas, afirmou que “os centros de tratamento cirúrgico de obesidade estão a funcionar cada vez melhor”, mas a procura continua muito elevada.

Exemplificou que no centro onde trabalha, na ULS São João, são operados cerca de mil doentes por ano, mas a lista de espera é grande, porque há “muitos, muitos doentes a precisar de uma solução cirúrgica”.

Além disso, explicou a endocrinologista, muitos deles precisam de tratamento farmacológico antes e depois da cirurgia.

A Obesidade como Doença Crónica

A especialista reforçou que “a obesidade é uma doença crónica, muito complexa”, em que os doentes ao longo da vida vão precisar de todas as estratégias disponíveis.

“Felizmente, temos agora boas estratégias e esperamos ter ainda melhores no futuro”, com a evolução da cirurgia e dos fármacos, disse Paula Freitas, defendendo que são necessárias “muitas ferramentas para tentar tratar esta patologia tão grave e que causa tanta morte”.

Eficácia dos Novos Fármacos

Sobre os novos fármacos, a especialista disse que “são muito eficazes” para tratar estes doentes, defendendo a importância de serem comparticipados.

Custos e Acessibilidade

Relativamente ao preço elevado destes medicamentos, Paula Freitas afirmou que “muitas vezes” tem que se olhar para o custo como um investimento.

“É verdade que para algumas pessoas há uma inacessibilidade completa, mas para outras, a pessoa pode pensar como um investimento que está a fazer em ganhos em saúde e em prolongar a sua vida”, sublinhou.

Desafios Sociais

A especialista admite, contudo, que a obesidade é mais prevalente nas classes sociais mais desfavorecidas e, para muitas, não vai ser possível ter acesso.


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