Iniciativa brasileira que remove microplásticos na lavoura conquista Prêmio Nascido do Saber
Inovação no Uso de Plásticos na Agricultura Uma tecnologia desenvolvida no Porto promete reduzir significativamente o uso de plásticos na agricultura e melhorar a saúde dos solos. Este projeto, denominado NSH – NanoSoilHealth, da Biofabics, foi reconhecido pela Agência Nacional de Inovação (ANI) ao vencer o prêmio Born from Knowledge (BfK) Awards na 12.ª edição…
Inovação no Uso de Plásticos na Agricultura
Uma tecnologia desenvolvida no Porto promete reduzir significativamente o uso de plásticos na agricultura e melhorar a saúde dos solos. Este projeto, denominado NSH – NanoSoilHealth, da Biofabics, foi reconhecido pela Agência Nacional de Inovação (ANI) ao vencer o prêmio Born from Knowledge (BfK) Awards na 12.ª edição do Prêmio Empreendedorismo e Inovação Crédito Agrícola.
Parceria e Desenvolvimento
A solução foi criada em colaboração com a empresa internacional RESPILON e ainda está em fase inicial de pesquisa. A proposta utiliza nanotecnologia para aprimorar o desempenho agrícola e regenerar solos degradados.
O projeto sugere a utilização de nanomembranas biodegradáveis e bioativas, produzidas através de electrospinning, uma técnica avançada que possibilita a incorporação de biofertilizantes de liberação controlada. Ao contrário das soluções tradicionais baseadas em polímeros sintéticos, essas membranas eliminam a necessidade de microplásticos e podem ser adaptadas a diferentes culturas.
A tecnologia visa aumentar a eficiência na liberação de nutrientes, promover a regeneração da microbiota do solo e otimizar o uso da água — fatores críticos em um contexto de secas crescentes e degradação dos solos agrícolas.
O desenvolvimento ocorre em paralelo com o projeto europeu TOLERATE, do qual a Biofabics faz parte, que busca melhorar a saúde dos solos e aumentar a resistência das culturas à escassez hídrica.
Impacto Ambiental e Ganhos de Eficiência
Segundo os idealizadores, a tecnologia poderá reduzir mais de 90% do uso de plásticos no solo e aumentar em pelo menos 15% a eficiência da fertilização. Este sistema visa eliminar plásticos utilizados na conservação e liberação de fertilizantes, contribuindo para práticas agrícolas regenerativas e para sistemas alimentares com menor pegada de carbono.
O projeto surge em um cenário de crescente pressão regulatória europeia para limitar o uso de microplásticos e reforçar a sustentabilidade agrícola, alinhando-se assim com os objetivos do Pacto Ecológico Europeu.
Potencial Econômico e Internacionalização
Além do impacto ambiental, a ANI enfatiza o potencial econômico da inovação. A equipa recebeu o troféu “Árvore do Conhecimento” e um prêmio em dinheiro de 2.500 euros, destinado a projetos que transformam conhecimento científico em valor econômico e social.
De acordo com o presidente da ANI, António Grilo, o objetivo é validar as nanomembranas em duas culturas piloto até o final de 2026, preparando o terreno para a escalabilidade e internacionalização da tecnologia.
Sediada no Porto, a Biofabics se posiciona como uma empresa deeptech focada em nanotecnologia e biomateriais com aplicações nos setores biomédico, ambiental, industrial e agrícola. Com forte ligação ao meio acadêmico, a empresa investe na transferência de tecnologia e na criação de soluções sustentáveis de alto valor agregado.
Em um país onde a produtividade agrícola enfrenta desafios climáticos e estruturais, inovações como o NanoSoilHealth ilustram o crescente papel da inovação científica na competitividade do setor e na transição para uma economia mais sustentável.
