Consumo de Álcool e Tabaco entre Jovens O consumo de álcool e tabaco entre jovens com idades entre 13 e 18 anos que frequentam escolas públicas em Portugal caiu 11 e 12 pontos percentuais, respetivamente. No entanto, este grupo está a tornar-se cada vez mais dependente do jogo online, incluindo apostas com dinheiro, segundo um
Consumo de Álcool e Tabaco entre Jovens
O consumo de álcool e tabaco entre jovens com idades entre 13 e 18 anos que frequentam escolas públicas em Portugal caiu 11 e 12 pontos percentuais, respetivamente. No entanto, este grupo está a tornar-se cada vez mais dependente do jogo online, incluindo apostas com dinheiro, segundo um estudo sobre o Consumo de Álcool, Tabaco, Drogas e outros Comportamentos Aditivos e Dependências.
Resultados do Estudo
Os adolescentes em Portugal estão a consumir menos álcool e tabaco, mas o seu envolvimento com jogos e apostas online está a aumentar, revela um estudo do Instituto para os Comportamentos Aditivos e as Dependências (ICAD). O relatório, que acompanha os hábitos dos alunos do ensino público entre os 13 e os 18 anos, mostra que, nos últimos 12 meses, um em cada vinte alunos consumiu álcool, tabaco ou drogas ilícitas, embora não necessariamente de forma simultânea.
O relatório aponta para uma descida generalizada nos comportamentos aditivos em relação a 2019, ano do relatório anterior, com reduções significativas no consumo de álcool e tabaco, enquanto o uso de substâncias psicoativas também diminuiu, com todas as regiões a apresentarem prevalências inferiores às de 2019.
Aumento do Jogo Online
Por outro lado, observa-se um aumento de cinco pontos percentuais no jogo a dinheiro a nível nacional, com a situação a triplicar nos Açores. Esta região lidera em jogos eletrónicos, com 38% dos alunos a jogar quatro ou mais horas por dia em dias sem escola.
O ICAD, presidido por João Goulão, afirmou que a diminuição do consumo de substâncias é um “sinal encorajador”. No entanto, o aumento de jogos online e o início precoce no consumo de álcool e tabaco “exigem respostas rápidas e eficazes”.
Particularidades Regionais
Embora o relatório mencione a diminuição do consumo a nível nacional, alerta que 40% dos alunos do Alentejo beberam álcool no último mês. Na mesma região e no Algarve, 37% dos jovens começaram a beber aos 13 anos ou mais cedo.
O estudo revela discrepâncias regionais, destacando que o Alentejo é não só a região com maior consumo de álcool (62%) e tabaco, mas também uma das que menos reduziu o uso de substâncias psicoativas. Em alguns casos, houve um aumento no uso não prescrito de tranquilizantes e sedativos.
Esses dados fazem com que o Alentejo se destaque pelo consumo de álcool, tabaco e tabaco aquecido, enquanto, em relação à canábis, a região está próxima de alcançar o Algarve, que anteriormente tinha a maior taxa de consumo dessa substância.
Consumo de Canábis e Análise Regional
Atualmente, o consumo de canábis ao longo da vida e nos últimos 12 meses é mais elevado no Algarve, mas já não o é se observarmos os últimos 30 dias, uma vez que, entre 2019 e 2024, as prevalências diminuíram mais no Algarve do que a média nacional.
Em relação ao jogo a dinheiro e jogos eletrónicos entre os alunos, as prevalências subiram de forma acentuada nos Açores, que antes se destacavam por uma prevalência bem abaixo da média nacional. O Centro e o Algarve também apresentam níveis elevados de gaming e gambling, respetivamente.
Correlação entre Comportamentos
O ICAD sublinha que a predominância do Alentejo em consumo de álcool, tabaco e canábis (este último apenas no que diz respeito ao consumo nos últimos 30 dias) e a baixa prevalência de jogos eletrónicos “reforçam a hipótese de que comportamentos aditivos com e sem substâncias podem estar inversamente correlacionados”.
Além disso, alguns resultados indicam uma correlação entre o consumo, a idade de início e o acesso a álcool, tabaco e drogas ilícitas. Em regiões onde o consumo começa mais cedo e o acesso é considerado menos dificultado, as prevalências de consumo são mais elevadas.
Os autores do estudo, Elsa Lavado e Vasco Calado, destacam a necessidade de promover outros tipos de estudos, especialmente de natureza qualitativa e regional, para entender os fatores socioculturais que levam algumas regiões a apresentarem consistentemente taxas mais elevadas de consumo e comportamentos de risco.
Comportamentos Aditivos no Norte e na Madeira
O relatório indica que o Norte é uma das regiões onde os comportamentos aditivos entre os alunos são menos prevalentes, apresentando a menor proporção de inquiridos que consumiram álcool, tabaco e drogas ilícitas no último ano. A Madeira também se destaca por ter uma situação menos grave em termos de comportamentos aditivos entre alunos, embora apresente valores superiores à média nacional no que toca ao consumo de outras drogas ilícitas que não canábis, no uso prescrito de tranquilizantes/sedativos e no jogo eletrónico.

















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