Portugal pode expandir acima de 3% anualmente, de acordo com a Católica em pesquisa solicitada pela Euronext e AEM.

Portugal pode expandir acima de 3% anualmente, de acordo com a Católica em pesquisa solicitada pela Euronext e AEM.

O futuro da economia em Portugal O futuro de Portugal que se pode perspectivar é ser um dos campeões da economia europeia, defendeu o Dean da Universidade Católica. “A nossa análise conclui que cada milhão de euros investidos em I&D em Portugal gera, em média, 8 postos de trabalho qualificados, através dos efeitos diretos e…

O futuro da economia em Portugal

O futuro de Portugal que se pode perspectivar é ser um dos campeões da economia europeia, defendeu o Dean da Universidade Católica. “A nossa análise conclui que cada milhão de euros investidos em I&D em Portugal gera, em média, 8 postos de trabalho qualificados, através dos efeitos diretos e indiretos na economia”, disse Filipe Santos.

Resultados do relatório sobre investimentos

O Professor Filipe Santos, Dean da Catolica-Lisbon, apresentou os resultados do relatório: “Portugal as a Prime Investment Destination: Infrastructure & Innovation at the Core” e que coloca Portugal como bem posicionado para ser um dos campeões da economia europeia.

As principais conclusões indicam que Portugal está a consolidar-se como um dos destinos de investimento mais competitivos da Europa, sustentando seu desempenho econômico recente em transformações estruturais de longo prazo.

O país combina estabilidade macroeconômica, capital humano altamente qualificado, infraestrutura energética e digital avançada, além de um ecossistema de inovação dinâmico, que em conjunto reforçam sua atratividade para o investimento global.

Crescimento econômico e fatores estruturais

“Uma economia, tipicamente, cresce por três fatores. Um fator é quando se consegue incorporar conhecimento na economia de forma a aumentar a produtividade, e isso ajuda em cerca de 1% ao ano. Por sermos um país atrativo para pessoas e talento, esse valor de trabalho pode aumentar. A segunda parte é quando se consegue aumentar o número de pessoas empregadas, e a terceira parte é a intensidade do investimento. Da intensidade do investimento depende o impulso da economia portuguesa”, defendeu Filipe Santos.

“O investimento está a recuperar, apesar de ser ainda tímido. O ponto aqui é que nós, com o potencial de desenvolvimento do capital humano que temos por ser um país atrativo para pessoas e talento, esse 1% de conhecimento pode aumentar e, se tivermos um aumento do investimento em Portugal, conseguimos também aumentar a intensidade do investimento, o que pode levar a economia a crescer de maneira consistente e consolidada, acima de 3% nos próximos anos”, disse o Dean da Católica numa apresentação a jornalistas do estudo “Portugal as a Prime Investment Destination: Infrastructure & Innovation at the Core”, que será apresentado hoje no Portugal Capital Markets Day 2025.

Expectativas de crescimento do PIB

O que vai de encontro ao que disse esta terça-feira o ministro de Estado e das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que defendeu que o Produto Interno Bruto (PIB) português poderá crescer 3% ao ano se se reduzir a burocracia e Portugal continuar a atrair mão-de-obra.

O responsável da Universidade Católica afirma que acredita que isso é possível porque “há um conjunto de fatores estruturais, de capital humano e de ecossistema de inovação que permitem essa transformação da economia portuguesa”.

A importância do relatório

O relatório foi desenvolvido pelo Centro de Estudos Aplicados Católica Lisbon (UCP), a convite da Euronext e AEM, como parte das ações do Portugal Capital Markets Day 2025, e dá continuidade ao estudo publicado em 2024 sobre as tendências estruturais da economia portuguesa, aprofundando agora os fatores críticos que sustentam seu posicionamento em um contexto geopolítico em rápida transformação.

O estudo analisa a evolução das dimensões — Infraestrutura e Inovação — como pilares transversais de competitividade, destacando as áreas onde Portugal possui vantagens comparativas e oportunidades de investimento significativas.

A análise demonstra que o forte desempenho econômico registrado entre 2022 e 2025 não é circunstancial, mas sim resultado de motores sustentáveis de crescimento, como o reforço do capital humano, a modernização das infraestruturas e a consolidação de um ecossistema de inovação com impacto econômico e social duradouro.

Áreas de investimento emergentes

O relatório ainda identifica áreas de investimento emergentes, desde centros de I&D e tecnologias avançadas até energia, economia azul, logística e manufatura de elevado valor acrescentado, reforçando a visão de Portugal como um destino estratégico para investimento sustentável, inovação e talento global.

Filipe Santos enfatizou que o Governo “está numa política contra-cíclica de poupança e de excedentes orçamentais, e isso é quase único na economia europeia. Em 26 países, talvez haja três que têm excedente orçamental; Portugal é um deles”.

Fatores que contribuem para o crescimento da população ativa

Segundo o Dean da Católica, desde 2021, Portugal se tornou atrativo para capital e talento. Para o economista, “o fenômeno da imigração, tanto a de baixa qualificação como a de elevada qualificação, permitiu reverter o envelhecimento da população e a inércia da economia portuguesa. A população e a população ativa estavam diminuindo todos os anos, e isso puxava para baixo a economia”.

“A partir de 2019, o saldo migratório torna-se claramente positivo. Portanto, as pessoas que saem são muito menos do que as pessoas que chegam para serem residentes e trabalharem”, afirmou.

Além disso, o crescimento da população ativa em Portugal, que passou de uma base de 100 pessoas ativas para cerca de 106, representa um crescimento de 6% nos últimos cinco anos, conforme revelou o estudo.

Situação atual do emprego em Portugal

“Atualmente, temos o desemprego em um nível baixo recorde, com 5,8%. O emprego está no valor máximo de 5,3 milhões de pessoas ativamente trabalhando, produzindo, pagando impostos e contribuições sociais, o que também ajuda às contas públicas. Isso permite que o Estado consolide sua posição mantendo os apoios sociais”, destacou Filipe Santos.

Desafios e oportunidades na economia portuguesa

Filipe Santos também abordou o risco da política tarifária da administração Trump, que pode prejudicar a economia portuguesa e europeia. “No entanto, da nossa análise, o mercado americano representa apenas 7% das exportações portuguesas. Se as tarifas forem um pouco acima do nível atual, o impacto no PIB seria inferior a 1% (0,1%). Obviamente, haveria dor em alguns setores mais específicos”.

Outro risco é o aumento da incerteza geopolítica. “Se houver um escalonamento do conflito entre a Ucrânia e a Rússia, ou um arrefecimento das relações com a China, pode haver um cenário de tensões aumentadas. Mas, ironicamente, nesse cenário, Portugal pode se beneficiar, pois será necessário muito mais investimento da Europa em defesa e autonomia estratégica. Portugal é o local mais seguro da Europa, longe dos conflitos, uma ponte para a América e para a África, e, portanto, no contexto atual, mesmo em um cenário de maior tensão geopolítica, Portugal pode ser favorecido”, defendeu.

Razões para otimismo na economia portuguesa

Quais são as razões para ser otimista? “São as vantagens estruturais que a economia portuguesa desenvolveu nos últimos anos e que podem potenciar um ciclo de investimento produtivo e criação de riqueza”, disse.

Vantagens competitivas de Portugal

O futuro está alinhado às vantagens que Portugal possui em energia renovável, telecomunicações, recursos naturais, fontes de financiamento para a economia, capital humano e no ecossistema de inovação.

“Conseguimos ter 35% da energia a vir de fontes renováveis, o que, no contexto europeu, é de fato singular. Esta vantagem se traduz em uma redução dos preços da energia, especialmente para clientes industriais”, afirmou. “Atualmente, temos um custo de energia abaixo da média europeia, e a economia digital, os centros de dados, e a reindustrialização se beneficiam da energia barata. A disponibilidade de energia a preços competitivos é um fator crucial para o processo de investimento que ocorrerá nos próximos anos na Europa”, acrescentou.

Conectividade e infraestrutura de telecomunicações

Além da localização segura e estratégica, Portugal também destaca-se pela conectividade. “Hoje em dia, a economia digital depende de conectividade, e Portugal, em virtude de investimentos realizados, possui uma posição singular tanto no wireless, onde 100% do país é coberto com 5G, quanto na fibrótica, onde 90% do país é coberto. Assim, em termos de conectividade, temos uma vantagem competitiva que é fundamental para a economia digital”, explicou.

“Ao mesmo tempo, somos o ponto de interconexão dos cabos submarinos que vêm da América, América Latina e África, com grandes investimentos em cabos submarinos desembarcando na costa portuguesa em Sines. Isso nos transforma em um hub de conexão para toda a Europa”, completou.

Aumento da produtividade agrícola e florestal

Filipe Santos, em uma longa apresentação na sede da Euronext Lisbon, também mencionou uma transformação pouco visível, mas significativa, na última década, referindo-se ao aumento substancial da produtividade agrícola e florestal.

“Apesar das suas dimensões limitadas, Portugal possui características únicas em termos de recursos naturais. Temos uma vasta área florestal com árvores altamente competitivas e produtivas para a indústria de papel, resultando na presença de grandes empresas, como a Navigator, que é uma das líderes globais no setor. Esta empresa é caracterizada por uma integração vertical desde a floresta até à produção e venda de marcas fortes”, argumentou o Dean da Católica.

“Portugal é o maior produtor de cortiça do mundo, representando 50% do mercado global, com líderes como a Cortiça Amorim”, afirmou. “Estamos entre os cinco maiores exportadores de azeite do mundo e, obviamente, temos uma indústria vinícola que detém uma relação qualidade-preço única no panorama global”, complementou.

Filipe Santos atribui isso ao bom uso da água e menciona que o projeto Alqueva foi transformador para o sul de Portugal, aumentando a área irrigada e, consequentemente, a produtividade agrícola. “É importante ressaltar que temos um bom sistema de reservatórios de água no país. No pico do verão, nossa reserva de água estava acima de 70%, o que é superior à média histórica. Temos uma Estratégia Nacional da Água bem planejada que garantirá que a água continue sendo um recurso estratégico e não escasso nos próximos anos para a economia portuguesa”, declarou.

Potencial da economia azul e recursos minerais

A economia azul é um setor ainda emergente, mas que promete criar novas oportunidades de investimento. “Temos um setor de aquicultura em forte crescimento, que duplicou em menos de uma década”, destacou.

“Além disso, possuímos as maiores reservas de lítio da Europa, com 60 mil toneladas métricas, o que é crucial para a eletrificação e para a autonomia estratégica da Europa frente ao restante do mundo. Também dispomos de alguns minerais essenciais”, acrescentou.

Sistema bancário e inovações financeiras

Com relação ao financiamento, Filipe Santos reconheceu que Portugal enfrentou momentos difíceis, mas hoje conta com um “sistema bancário sólido, um dos mais robustos da Europa, com taxa de capital acima de 20%, o que proporciona capacidade de concessão de crédito. Além disso, somos muito avançados em sistemas de pagamento”.

O Dean destacou o surgimento de empresas inovadoras, como a Feezai, um unicórnio nacional na área da Cibersegurança e IA, que garantirá a segurança do Eurodigital.

“Nos últimos dois anos, atingimos a média europeia em termos de poupança, que é canalizada para os bancos e para o mercado de capitais, possibilitando investimentos e condições financeiras para apoiar o crescimento da economia portuguesa”, afirmou.

Projetos industriais e desenvolvimento em Sines

Essas condições favorecem a implementação de grandes projetos industriais, como o ‘Hub’ de Sines, um dos maiores portos de águas profundas da Europa.

Em Sines, foi criado um Data Center que deverá ser um dos maiores da Europa, com um investimento direcionado de cerca de 3 bilhões de euros no projeto conhecido como Start Campus.

Temos ainda projetos com empresas chinesas na área de produção de baterias fotovoltaicas em Sines, além de iniciativas de hidrogênio verde com a Repsol e a Galp, estabelecendo assim um cluster industrial e energético na região que deverá se tornar um polo de desenvolvimento da economia portuguesa.

A importância do capital humano

Contudo, uma economia não pode se desenvolver sem um fortalecimento do capital humano e a incorporação de conhecimento, insistiu Filipe Santos.

O investimento em qualificação e no capital humano português foi significativo nos últimos anos, permitindo a convergência e até mesmo a superação de Portugal em relação a outros países, como a Itália, no que diz respeito à qualificação da força de trabalho. “Isso é crucial para aquele 1% da incorporação de conhecimento”, revelou. “Houve um fortalecimento do ensino superior universitário em Portugal, possibilitando atrair alunos e cientistas internacionais para trabalhar e produzir em nosso país, assim ajudando a contornar a crise demográfica”.

O crescimento econômico vai ocorrer pela atração de talento e pela produtividade proporcionada por esse capital humano, defendeu.

Além disso, “estamos atraentes para milionários globais”. Uma consultoria indicou que este ano devem chegar a Portugal cerca de 1.400 novos milionários, colocando o país em sétima posição mundial neste quesito.

Filipe Santos observou que “Portugal atualmente não se resume apenas a Lisboa, mas é multipolar em termos de ecossistemas de inovação, o que é fundamental para consolidar o seu potencial de crescimento. Por exemplo, temos um cluster aeronáutico em Évora e Coimbra é a sede da Critical Software, uma das maiores empresas de software nacionais, com parcerias internacionais”.

“O nosso país possui hoje uma manufatura de alta qualidade, como os sapatos portugueses, que estão classificados como os segundos melhores do mundo, somente atrás da Itália”, acrescentou.

Para o economista, Portugal se encontra muito bem posicionado em setores que deverão crescer significativamente no futuro.

Oportunidades de investimento em Portugal

Filipe Santos ressaltou quatro áreas de investimento que se destacam: Saúde, Indústria Farmacêutica e Biotecnologia; Centros de Competência das Empresas Multinacionais; Indústria Digital/Cloud; e a área da Defesa e Drones.

Na Saúde, Indústria Farmacêutica e Biotecnologia, Portugal abriga centros de pesquisa e ciência de nível mundial.

“A nossa análise conclui que cada milhão de euros investidos em I&D em Portugal gera, em média, 8 postos de trabalho qualificados, através dos efeitos diretos e indiretos na economia”, concluiu Filipe Santos.

“Além disso, temos centros de competência em serviços de alto valor agregado de multinacionais operando em Portugal. Um exemplo é o BNP Paribas, que foi o maior recrutador qualificado nos últimos sete anos, com 10 mil pessoas trabalhando em centros de competência aqui”, acrescentou.

Existem grandes necessidades de investimento na Europa em Data Centers para suportar a economia digital, e Portugal está bem posicionado para ser um motor nesse cenário, defendeu.

“Finalmente, no setor de Defesa, há enormes investimentos previstos. Possuímos empresas fornecedoras de componentes, além de uma indústria metalomecânica altamente qualificada, que abrange também empresas nas áreas de drones e aeronáutica”, concluiu.

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